sncAcre2-22-07-2011
 
 
 
 
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Incêndios arrasam povoados e Rússia mobiliza Forças Armadas

Os incêndios florestais provocados pela intensa onda de calor na Rússia causaram a morte de 26 pessoas e destruíram povoados inteiros da região central do país nas últimas horas, o que levou o Kremlin nesta sexta-feira a mobilizar as Forças Armadas no combate ao fogo. "Que ajudem no que possam. A situação é realmente grave", afirmou o presidente russo, Dmitri Medvedev, ao autorizar o uso dos militares.


Milhares de soldados se juntarão às mais de 200 mil pessoas do Ministério de Situações de Emergência que já participam dos trabalhos contra incêndios. Medvedev e o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, tiveram que modificar suas agendas de trabalho para assumir a gestão desta crise, que pegou as autoridades federais e locais de surpresa.


"Infelizmente, não temos capacidade para enfrentar tais desastres naturais. No futuro, teremos que pensar em aumentar o efetivo de aviões contra incêndios", reconheceu Medvedev. Putin foi para a região de Nizhni Novgorod, onde nas últimas horas os incêndios mataram dez pessoas e destruíram 664 casas no município de Vyksa.


O fogo, que obrigou o deslocamento de milhares de pessoas, ameaça outros seis povoados russos nos quais vivem mais de dez mil pessoas. As incomuns altas temperaturas para a região central da Rússia neste verão, que chegaram a bater nos 40°C, foram a causa do incêndio que arrasou ontem as 341 casas de Verkhnyaya Vereya, uma localidade de quase 600 habitantes os quais tiveram que se proteger em escolas.


Putin respondeu às queixas da população de que as autoridades foram negligentes e não reagiram a tempo ao prometer que a Justiça estabelecerá responsabilidades entre as autoridades locais. "Antes do inverno, cada casa será restaurada. Eu prometo, o povoado será reconstruído", disse Putin.


Outras sete pessoas, entre elas dois bombeiros, morreram em incêndios na região de Moscou, muitos deles em jazidas de combustível de origem vegetal. O combustível queima a até dez metros de profundidade. Com isso, o fogo pode se propagar de maneira subterrânea e vir à tona onde menos se espera.


Por essa razão, Moscou, onde os termômetros marcaram ontem um recorde histórico de 38,2°C, amanheceu em vários dias desta semana coberta por uma nuvem de fumaça que causou inúmeros transtornos aos dez milhões de habitantes da capital. Nos regiões de Ryazan e Voronezh, no sudoeste do país, o fogo matou nove pessoas, respectivamente, enquanto cerca de 200 casas foram consumidas pelas chamas nas regiões de Lipetsk e Vladimir.


O fato de que a maioria de casas nas aldeias e pequenas cidades sejam de madeira facilita a rápida propagação dos incêndios. Putin pressionou os governadores das regiões afetadas a tomar medidas urgentes para combater o fogo e ajudar os desabrigados. Na segunda-feira, o primeiro-ministro alertou as autoridades regionais sobre a magnitude dos incêndios florestais.


"Recai nas autoridades regionais a responsabilidade sobre a infraestrutura antiincêndios florestais. Qualquer imprevisto pode ter consequências trágicas e, por isso, é inaceitável", disse. Segundo o Ministério de Situações de Emergência, houve 22 mil incêncios na Rússia desde o início da onda de calor, em meados de junho, destruindo quase 500 mil quilômetros quadrados de florestas.


A ameaça de incêndios continuará alta na próxima semana na região central do país e nas regiões banhadas pelo rio Volga por causa da ausência de chuvas, segundo o Centro Meteorológico da Rússia. Devido à onda de calor, que já acabou com mais de dez milhões de hectares de cultivos, o Ministério da Agricultura anunciou que 27 das 83 entidades federadas do país estavam em estado de emergência.


Segundo o assessor do Kremlin para a mudança climática, Aleksandr Bedritski, há quase 40 anos o país não passava por uma seca como a atual.

 

 




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