Águas do Rio Acre superaram cota de transbordamento Agnes Cavalcante
O contraste entre deslumbre e tristeza pode estar caminhando para o fim. Enquanto muitos se deslocam aos pontos turísticos de Rio Branco, como a gameleira, para contemplar a beleza das águas do Rio Acre, outros permanecem abrigados em locais improvisados como o Parque de Exposições Marechal Castelo Branco, mas ao que tudo indica, não por muito tempo.
O Rio Acre já deu sinal de vazante e dispõe da marca (até o fechamento desta edição) de 14,22 m de profundidade. Somente no Parque de Exposições, existem atualmente 224 (duzentas e vinte e quatro) pessoas abrigadas, totalizando 56 famílias que foram forçadas a saírem de suas casas, vítimas da cheia do Rio Acre.
São dezenas de imóveis inundados e um prejuízo quase incalculável. Moradores perderam móveis, eletrodomésticos, roupas, utensílios, entre outros. No interior, a cidade mais afetada com a cheia, segundo a Defesa Civil estadual, é Cruzeiro do Sul, cujas águas já deram sinal de vazante e marcam 13,28 m de profundidade.
Cruzeiro do Sul segundo a Defesa Civil teve apenas 13 famílias desabrigadas, sendo apenas 10 delas, encaminhadas a abrigos. As outras 3 famílias permanecem em casas de amigos ou de parentes.
De acordo com as últimas medições realizadas na manhã de ontem (10), nos municípios interioranos, a Cidade que representa menor risco de enchente é a de Assis Brasil, cujas águas do Rio Acre somam apenas 4,50 m. Já no conhecido Riozinho do Rola, a medição é de 13,81 m.
Auxílio Moradia Transitória
A Secretária Municipal de Cidadania e Assistência Social Estefânia Pontes explica que o Benefício Auxílio - Moradia Transitória consiste na concessão, pela Administração Pública Municipal, de benefício financeiro destinado a subsidiar o pagamento de aluguel de imóvel às famílias, que se encontram em situação de vulnerabilidade e/ou risco habitacional.
São tomadas como prioridades aquelas famílias que residam em áreas de risco iminente; atingidas por desastres e sinistros (enchente, incêndio, deslizamento, desmoronamento, dentre outros que afetem a estrutura da residência); e encontrem-se em áreas de intervenção de obras públicas.
Nessas condições, estão enquadradas, por exemplo, as famílias atingidas por desabamentos da região do Calçadão da Benjamim Constant, no Centro da Cidade, cujo incidente aconteceu na madrugada do último sábado (7). A Secretária alerta que essas famílias foram imediatamente encaminhadas a imóveis prontos a alugar, pois a preocupação do município é garantir a integridade física dos moradores.
De acordo com ela, o benefício é válido por três anos e pode ser renovado por igual período. Para ela, é necessário que as famílias entendam que o mais importante é garantirem suas vidas, e que por isso, os cidadãos não devem se arriscar a continuarem morando em áreas de risco.
Desaparecimento
A Defesa Civil procura um homem de 42 anos, desaparecido desde o final de semana nas águas do Rio Andirá, no Bujari. A vítima está desaparecida desde o final de semana, quando foi levada pela enxurrada enquanto tomava banho naquelas águas, na companhia de amigos e parentes.
Na semana passada, a cheia do Rio Andirá, provocou também a interdição do quilômetro 50 da BR-364. A Defesa Civil Estadual espera ainda confirmação nos próximos boletins de monitoramento de situação de risco.
Medição dos rios: No Riozinho do Rola, a última medição foi de 13, 81m; em Assis Brasil de 4,50; em Brasileia foram registrados 5,42m; Xapuri de 8,42m; Já em Sena Madureira a medição foi de 13,77; em Tarauacá as águas chegaram a 10,28m e em Cruzeiro do Sul, a situação é a 2ª mais grave do Estado, com 13,28m.



Antonio Muniz
Stalin Melo
Narciso Mendes
