Dandão fala da recuperação do Estrelão e Juventude na Série CUm dos maiores mistérios do futebol (talvez mesmo o maior desses mistérios) é a sua própria existência.
Vinte e dois homens (e agora, nos últimos tempos, mulheres também) correndo atrás de uma bola, suando em bicas, botando os bofes pra fora do corpo, dando caneladas e rasteiras uns nos outros, tudo pelo prazer de enfiar a dita cuja na meta dos adversários.
O bando na metade oposta é o inimigo que deve ser combatido e massacrado por bem ou por mal. Em lances nas áreas pequena e grande, tal o afã de "fazer com que" ou "impedir que" a bola entre nas redes, nada resiste à fúria dos jogadores. Vale tudo: segurar pela cintura, meter o dedo no olho (ou nas partes pudendas), cuspir, chutar, beliscar, um pandemônio!
Em volta do campo do jogo, na parte em que os arquitetos e engenheiros de toda a espécie denominaram "arquibancada", a fúria e a paixão dos contendores se repetem por parte de uma multidão de simpatizantes. Urros, berros, cantos de guerra, impropérios, satisfação, decepção... A terra estremece ante cada arremetida do time do coração.
Embora existam leis e regras que regulamentam o esporte (ou batalha, ou epopéia, ou qualquer coisa que o valha), não raro prevalece a fraude. Gols com o uso das mãos, por exemplo, são proibidos, mas de vez em quando passam despercebidos. Ou então bolas que ultrapassam a linha fatal que, eventualmente, acabam não sendo validadas como gols...
E fora isso, os caminhos do futebol são tão misteriosos e insondáveis que, não raro, equipes que parecem totalmente aniquiladas, sepultadas mesmo sob sete palmos de terra, ressurgem para a vida como quem não quer abandonar de jeito nenhum o cheirinho das flores da próxima primavera (começa agora este mês, viu?), o azul do céu etc. e coisa e tal.
Pois muito bem. Esse papo todo de mistérios, times sepultados (ou quase) e ressurreições me ocorre por conta de dois jogos que eu acompanhei no domingo. O primeiro: Juventude (RS) e Chapecoense (SC), em Caxias do Sul. Dois a um para os gaúchos. O outro: Rio Branco e Águia de Marabá (PA), no Acre. Dois a um para os acreanos. Ambos pela série C.
Em Caxias do Sul, onde eu passei o fim de semana, participando de um congresso de comunicação, não resisti ao apelo de ir ao Alfredo Jaconi ver o Juventude em ação. Em último lugar no seu grupo, jogando contra o então líder, tudo indicava que a equipe gaúcha seria rebaixada para série D. Ledo engano. O Juventude adiou o castigo e levou a galera ao delírio!
Para acompanhar o jogo do Rio Branco, eu corri para a internet. Mas devo confessar que não tinha muita esperança do sucesso do Estrelão não. Pela péssima campanha do time, parecia inevitável a descida do degrau. Alvíssaras, o time acreano reagiu! Tomei duas taças de vinho e adormeci no frio da serra. No outro dia de manhã, os mistérios despertaram comigo!

















