Por conta, principalmente, do aniversário de cem anos do clube, no meio desta semana que passou, há uma overdose de Corinthians por esses dias nos ares paulistas.
Pra todos os lados que se olha (ou até onde o ouvido alcança), seja na televisão, seja nos jornais, seja no rádio, seja na tela dos cinemas, leste, oeste, norte e sul, tudo cheira ao branco e preto do Timão.
Amigo meu fanático pelo referido clube, freqüentador assíduo dos bares da Vila Madalena e adjacências etílicas (mas não é o Augusto Diniz, que é Flamengo desde sempre e promete permanecer assim até que a morte os separe, viu?), diz-me que o Corinthians tá tão em moda que em dias claros dá até pra ver São Jorge, lança em riste, pairando sobre a cidade.
Embora eu tenha minhas dúvidas, dado que ver o céu de São Paulo não é uma tarefa muito fácil, também não chego a bater o pé sobre essas aparições do guerreiro sobre as nuvens da paulicéia desvairada. Aprendi nesses meses em que me quedo por aqui que tudo é possível nas esquinas verticais da cidade, bem como na deselegância discreta das suas meninas.
Tudo é possível sim. Inclusive vislumbrar São Jorge e o lendário dragão botando fogo pelas fuças para espantar o frio que vem da Patagônia (talvez eles sejam cabos eleitorais do Vampeta)! Inclusive o culto a um centroavante com muitos quilos acima do peso (tudo bem, eu sei, fenômeno não se discute, aprecia-se!)! Inclusive muitos outros "inclusives" a mais!
A desclassificação da Copa Libertadores 2010, em pleno Pacaembu, justamente para o Flamengo do parceiro Augusto Diniz, embora o torneio fosse a grande aspiração do centenário (os arquivos dos jornais estão cheios de indicações nesse sentido), já é coisa do passado. Pra frente é que se deve olhar e o atual segundo lugar no Brasileirão indica que o sonho não acabou.
Tudo bem que um tal Fluminense, paixão latente do editor Manoel Façanha, teima em se manter na frente do alvinegro paulista no certame que ora se desenrola. Mas e daí? A história do Brasil mesmo não está cheia de vices que ascenderam ao trono, ainda que por vias transversas? Pois então? Melhor um vice na mão do que dois campeonatos voando, né não?
A melhor notícia desses cem anos do Corinthians (pelo menos para os corintianos), entretanto, marqueteiros a serviço do clube à parte, creio eu, diz respeito à construção do estádio do clube. Já não era sem tempo. Os milhões de membros da mais do que aguerrida nação corintiana bem que merecem ter um endereço digno, onde possam massacrar seus inimigos.
Vida longa ao Corinthians, a São Jorge e ao parceiro dragão (com ou sem fogo, na periférica Itaquera ou nos inferninhos da Rua Augusta, pouco importa). Sucesso aos seus jogadores (gordos ou magros, tanto faz)... Se eu participei dos festejos? Não, não... Moro em Jaçanã e o meu trem parte sempre às 11 horas. Perdê-lo é chegar em casa só no outro dia de manhã!

















