O adiamento da divulgação do edital de licitação na modalidade PPP (parceria público-privada) do Parque Olímpico do Rio por conta de decisão judicial expõe a fragilidade com que a cidade irá encarar as obras dos equipamentos esportivos para os Jogos na Barra da Tijuca. Nesse caso específico, de um lado está a prefeitura, do outro a comunidade de Vila Autódromo e a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA).
A Defensoria Pública alega que o edital apresentava ambiguidade para onde seria removida a comunidade quando iniciassem as obras do parque – para quem não sabe, a Vila Autódromo se localizada em parte da área prevista para ser o centro olímpico. Já a demanda da CBA é pela construção do novo autódromo antes das obras, já que o atual dará lugar aos equipamentos esportivos para os Jogos na Barra da Tijuca.
Em ambos os casos, me preocupa mais a remoção da Vila Autódromo onde moram pessoas pobres e com dificuldade de solução de seus problemas do dia a dia. A previsão era de que fossem transferidas para um terreno a menos de um quilômetro de onde elas estão hoje, mas dizem que esta mesma área não possui espaço suficiente para todos os removidos.
O edital deverá tirar da frente essas duas questões antes de ser lançado (previsão agora para 5 de março). Depois que for para rua, no entanto, o cidadão poderá ver claramente o que se propõe ali para depois dos Jogos (o chamado legado): um provável estabelecimento de mais um condomínio residencial de alto padrão na Barra da Tijuca. Pouco a ver em fazer um parque que interaja por completo com todos os cidadãos da cidade.
Portanto, a remoção da Vila Autódromo mais se parece com segregação social, como acreditam alguns de seus moradores. Alguns urbanistas defendem a tese de que o Parque Olímpico do Rio deveria ser construído em Deodoro, na parte mais carente da Zona Oeste. Ali teria os efeitos esperados de um bom legado.
Além disso, Deodoro tinha área livre disponível e rede de transporte mais estabelecida – obviamente, precisaria melhorá-la. No caso da Barra, está tendo que se criar toda essa rede para atender a mobilidade necessária ao local.
O governo terá que provar aos poucos que a aposta do Parque Olímpico na Barra não foi em vão. Mas já saiu perdendo na primeira chance com o adiamento do lançamento do edital.

















