sncAcre2-22-07-2011
 
 
 
 
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Maus exemplos

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Desde quando o PMDB entendeu que pode chegar ao poder  sem disputá-lo que a nossa democracia tem pago um alto preço.

Eduardo Braga, ex-governador do Amazonas e que já foi filiado a uma meia dúzia de partidos, é, presentemente, uma das estrelas mais candentes do PMDB. Edison Lobão, ex-governador do Maranhão, afilhado de José Sarney e eleitor de Maluf, quando este foi ao colégio eleitoral disputar com Tancredo Neves à presidência da República, após vagar por um monte de partidos, acabou se filiando ao PMDB.

A partir destes dois peemedebistas, e de seus inconstantes comportamentos, muito facilmente poderemos dimensionar o prejuízo que o PMDB tem imposto à saúde da nossa ainda bastante precária democracia. Em favor deles, diga-se: se suas atitudes são flagrantemente imorais, do ponto de vista legal não podemos dizer o mesmo, afinal de contas, tudo que fizeram sempre estive devidamente acobertado pela nossa vigente legislação eleitoral, a bem da verdade, uma das piores do mundo.

Eduardo Braga acaba de se eleger senador pelo Estado do Amazonas e tem como primeira suplente sua própria esposa. Edson Lobão, reeleito senador pelo Estado do Maranhão, tem como primeiro suplente seu próprio filho. Por si só, e por diversas outras razões, estes dois casos vêm demonstrar a fragilidade de nossa democracia, e mais que isto, que suas espertezas encontram amparo legal na nossa legislação eleitoral. Legislação não, legislaçãozinha, sim. Vamos adiante; 

Eduardo Braga queria e o lobby peemedebista fez de tudo para alçá-lo a condição de ministro. Houvesse dado certo, sua esposa teria virado senadora. Mais sorte teve Edson Lobão. Ao tempo em que virou ministro de minas e energia a sua vaga no senado será ocupada por um dos seus filhos. Por ter desistido de disputar o governo do Maranhão e ter apoiado a sua filha, Roseane Sarney, o todo poderoso José Sarney jogou todo o seu prestígio na referida indicação.   

Caso a presidente Dilma Rousseff não consiga resistir às pressões dos profissionais do PMDB os dois acabarão virando ministros, tanto a mulher de Eduardo Braga quando o filho de Edson Lobão. Um já foi e o outro está na espreita. Sem votos, é verdade, mas senadores da República. Serão colegas do senador Aluízio Ferreira Nunes, a despeito deste está respaldado por mais de onze milhões de votos.

Se a ocasião é que faz o ladrão, coisas dessa natureza só ocorrem porque nossa legislação eleitoral é suficientemente transigente com tais trapaças. Primeiro, por permitir a figura do senador suplente. Segundo, porque o titular, a seu bel prazer, escolhe o suplente que bem quiser. Terceiro, por permitir ao senador que se afasta do mandato, abrir a vaga para seu suplente. Nos EUA, por exemplo, para virar ministra do governo Barack Obama, a senadora Hilary Clinton teve que renunciar ao seu mandato. Por aqui as coisas correm bastante frouxas. Do jeito que o PMDB gosta.

Conviver com sua heterogênica base de sustentação política, decerto, será o maior desafio a ser enfrentado pela presidente Dilma Rousseff. Lula conseguiu porque resolveu entregar ao PMDB as melhores posições do seu governo e as presidências da Câmara e do Senado, além do próprio dispor de um trunfo nunca visto na história política deste país, qual seja, seus mais de 80% de aprovação popular.

Como a presidente Dilma Rousseff não poderá ceder a todas às pressões vindas do PMDB, menos por ela, e mais pela não aceitação dos demais partidos que formam sua base de sustentação política, em destaque, o PT, seu próprio partido, e como sua aprovação popular, a despeito de sua vitória eleitoral, ainda ser uma incógnita, sabe Deus no que resultará a aliança PT/PMDB e muito menos se nossa presidente estará à altura para enfrentar a gula dos peemedebistas.  

Pelo sim pelo não, que a presidente Dilma Rousseff se prepare para enfrentar, menos sua frágil oposição e mais, sua conflituosa e gulosa base aliada.  

 




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