O presidente Lula conclui seu longevo mandato feito um rei momo.
Logo após a sua posse, como se ela fosse determinante para eliminar qualquer crise, interna ou importada, pois num mundo globalizado as crises não costumam respeitar barreiras, o presidente Lula não teve maiores dificuldades para por o Brasil na rota do crescimento. De mais a mais, a era FHC, de quem diz ter herdado uma herança maldita havia consolidado o Plano Real, controlado a inflação, aprovado a lei de responsabilidade fiscal e instituído o Proer, programa que retirou do circuito financeiro nacional um monte de bancos falidos, em destaque, os bancos estaduais.
Sem cadáveres escondidos nos armários e dando de cara com um mundo pleno de liquidez, o presidente Lula conseguiu chegar ao final de seu segundo mandado praticamente consagrado, enfim, os mais de 80% de aprovação fizeram dele o rei momo de nossa política. Imagine qual seria sua avaliação se escândalos como o dos aloprados, o dos sanguessugas e o do mensalão, entre outros, não houvesse lhes trazido sérios e inconvenientes incômodos!
Homem de muita sorte, embora não goste de ser considero assim, Lula se enquadra entre aqueles sujeitos que o jornalista americano Ed Howe assim contextualizou: “Quando um homem não tem razão para confiar em si mesmo, mas tendo sorte, passa a confiar nela”. Na crise de 2008, àquela que pôs o próprio EUA de cócoras e parte da Europa de pires na mão, frente ao tsumani que ameaçava arrasar o mundo inteiro, confiado tão somente em sua sorte, pois nenhum outro motivo poderia recomendar sua aparente tranqüilidade, o presidente Lula assim se pronunciou: “Quando este tsumani chegar ao Brasil será sob a forma de uma marolinha”. Pelo sim pelo não, pois o financiamento daquela crise ainda está por ser pago, dado o volume de recursos públicos envolvidos, prestes a concluir se duplo mandato, sequer a tal marolinha chegou a nos incomodar.
Igual sorte, ao que tudo parece indicar, não terá a futura presidente Dilma Rousseff, afinal de contas, ela vai encontrar um Brasil com outras carências, novos vícios e um mundo bem diferente daquele que o presidente Lula encontrou. Ironias à parte, o próprio crescimento econômico e social proporcionados pelo governo Lula, foram determinantes para o esgotamento de nossa infra-estrutura: estradas, portos, aeroportos, metrôs, armazéns, geração de energia, entre outros pré-requisitos indispensáveis à manutenção do nosso crescimento à taxa de 5% do PIB estão com suas capacidades praticamente esgotadas e a exigir altíssimos investimentos.
Viramos o país dos novos vícios e dos novos escândalos porque apagamos de nossas memórias e deixamos por conta da impunidade algumas das escabrosas roubalheiras de nossa história. E o pior: em praticamente todas as quadrilhas, adrede montadas para assaltar o nosso erário, raras foram aquelas que não se fizeram acompanhar de algum medalhão de nossa República. De nosso senado e de nossa câmara tem saído à maioria desses assaltantes. Como enfrentá-los? Neste particular, o presidente Lula pouco ou quase nada fez no sentido de detê-las.
Além do nosso horizonte, onde as coisas andam de mal a pior, a cada dia, tomamos conhecimento de novas agonias. Este será o mundo que espera o nossa presidente Dilma Rousseff. Os EUA, por exemplo, considerado o pronto-socorro financeiro do mundo, deixou de sê-lo e transformou-se num indigente a pedir socorro. À propósito, de 2008 para cá, só os EUA se viu obrigado a inundar o mercado financeiro mundial com mais de dois trilhões de dólares, dinheirama esta, que trás como primeira conseqüência, severíssimos prejuízos aos países exportadores de produtos primárias, entre os quais o Brasil está inserido.
Se graças ao seu extraordinário prestígio o presidente Lula fez de Dilma Rousseff a sua sucessora, isto não basta para assegurar igual sucesso à sua gestão.





Antonio Muniz
Stalin Melo
Narciso Mendes