Credite-se ao PSDB e ao PT, ou melhor, aos governos FHC e Lula, meio a meio, as nossas mais importantes conquistas.
O Plano Real, o Proer, a Lei de Responsabilidade Fiscal e a independência ainda que não institucionalizada do Banco Central enquanto gestor de nossa política monetária, entre outras conquistas do governo FHC, em princípio, não contou com o apoiou da oposição. Pelo contrário. À época, o PT, Lula à frente, fez o possível e o impossível para que elas não se materializassem. Ser contra, por ser contra, até perceber que poderiam chegar à presidência da República compunha o receituário petista.
O fim do radicalismo petista teve seu início com a divulgação, em 2002, da famosa “Carta aos brasileiros” quando o então candidato Lula, amplamente favorito nas pesquisas, tomou ciência que poderia se tornar presidente da República. Aliás, não fosse a divulgação da referida carta, muito dificilmente Lula teria sido eleito, afinal de contas, já àquela época, a sociedade brasileira resistia em transformar o Brasil num laboratório para experimentos que já haviam se revelado desastrosos em outros países.
O grande mérito do governo Lula foi ter mantido, e até ampliado, todas as importantes conquistas do governo FHC. Não por acaso, e para demonstrar que o seu governo nada tinha a ver com as retóricas do seu próprio partido, Lula foi buscar o tucano Henrique Meireles, ex-presidente mundial do Banco de Boston e recém-eleito deputado federal, para cuidar do nosso Banco Central. Para os radicais petistas a nomeação do banqueiro Henrique Meireles para presidir o BACEN era o mesmo que negar a própria história do PT.
Se o plano real tem permitido o controle da inflação e a lei de responsabilidade fiscal para que as contas públicas não rompam os limites fiscalmente aceitos, isto só está sendo possível graças aos instrumentos de política econômica criados no governo FHC e preservados pelo governo Lula. O Proer, também da lavra do governo FHC e tenazmente satanizado pelos petistas, impediu que os governos estaduais, alguns deles plenamente irresponsáveis, continuassem usando os bancos estaduais para atender seus mesquinhos interesses.
Em relação às políticas sociais, sobretudo aquelas de maiores aceitação popular, como o Bolsa-Escola e o Luz no Campo, ambas criadas no governo FHC, muito oportunamente o governo Lula não só as manteve como as ampliou. De novo só houve a troca de nomes: o que era Bolsa-Escola passou a ser Bolsa-Família e que era Luz no Campo passou a ser Luz Para todos.
Ganhe Dilma ou Serra todas as conquistas acima referidas haverão de ser mantidas, porquanto nenhum dos dois ousaria promover mudanças capazes de comprometê-las. Resumindo-se: o Brasil da inflação descontrolada e das contas públicas sem freios é coisa do passado. E de um passado que não mais voltará. A não ser, para servir de túmulo para quem ousar prejudicar a nossa caminhada, até porque, tornar-se uma das principais países do mundo, decididamente, é o nosso destino.
De todo modo, e neste particular Marina Silva está cheia de razões, a campanha presidencial, ainda em curso, vai ficar devendo ao povo brasileiro o debate sobre várias questões que eram do maior interesse de nossa sociedade, como por exemplo, aquelas ligadas à educação, saúde, habitação, saneamento e segurança pública.
Jamais os marqueteiros de Serra deveriam ter perdido tanto tempo acusando a candidata Dilma de ser a favor do aborto e por outro lado, os marqueteiros da Dilma acusando o Serra de, se eleito, sair privatizando tudo que encontrar pela frente.
Se o rolinho de papel que atingiu a careca do Serra, de tão leve sequer a arranhou assim como a sacola atirada contra Dilma não continha água em quantidade para matar a sede de um curió, jamais tais assuntos deveriam ter ocupado tanto tempo em seus respectivos horários de propaganda. Pelo sim pelo não, votarei nela.





Antonio Muniz
Stalin Melo
Narciso Mendes