Os próximos 15 dias serão decisivos para os candidatos que ainda esperam se eleger comprando votos. Nas últimas eleições ocorridas aqui no Acre, sobretudo na de 2006, o cadastramento prévio dos eleitores foi determinante para o sucesso de vários candidatos que concorreram a um mandato parlamentar. Destaco o mandato parlamentar justamente por ser aquele onde a compra de votos tem se revelado, a despeito de seus maléficos e antidemocráticos efeitos, no principal e mais eficiente instrumento de ação dos candidatos a deputado federal e deputado estadual que obtiveram suas eleições compradores de votos. Em relação às disputas majoritárias, embora tal crime também possa se fazer presente, a compra de votos não será o bastante para determinar àqueles que serão eleitos.
Ainda contra o mercado eleitoral, há que se destacar: o candidato proporcional que faz opção pela compra de votos, além de criminoso, não tem compromisso, a não ser com ele mesmo. Nem mesmo com os demais candidatos do seu partido ou de sua coligação, enfim, ao assegurar o voto do eleitor corrompido ele se dá por satisfeito.
Em todos os aspectos, todos contrários ao interesse público, bem tem feito a Justiça Eleitoral, Brasil inteiro, e em particular, o TRE/AC-Tribunal Regional Eleitoral do Acre, em haver declarado uma verdadeira guerra contra a compra de votos. A bem da verdade e como estímulo a esta oportuníssima e patriótica e guerra, há que se registrar: seus efeitos já estão produzindo bons resultados, afinal de contas, os tais cadastramentos de eleitores, muito diferentemente do que aconteceu nas eleições de 2006, até o presente momento, ainda não estão sendo ofertados, praticamente às escâncaras, de comitês em comitês, sempre buscando o candidato que venha fazer a melhor oferta.
Mas isto não significa dizer que os compradores de votos estão rendidos à nova ordem, enfim, ainda resta a última e decisiva batalha dessa guerra, justamente aquela que será travada no decorrer dos próximos 15 dias, até porque, todos os candidatos que montaram seus esquemas à base da compra de votos ainda continuam apostando no cadastramento de seus eleitores a fim de viabilizar as suas eleições. Se não com a desenvoltura como sempre agiram, mas certamente mais comedidos, porquanto estão conscientes que estão sendo seguidos pela Justiça Eleitoral e que neste novo contexto as suas ações precisam se cercar de todos os cuidados> Aliás, este é o procedimento de quem sabe que está patrocinando um crime.
Os presidentes das associações de bairros, os pastores evangélicos e sempre eles – os velhos e conhecidos cabos-eleitorais - por óbvias razões, são sempre os elementos mais requisitados pelos compradores de votos para elaborarem os seus respectivos cadastramentos. Em sendo assim, será dentre aqueles que condenam esta prática que a Justiça Eleitoral poderá obter as melhores informações que levá-la a flagrar àqueles que se constituem nos principais elos da criminosa corrente que liga os eleitores aos candidatos compradores de votos.
Volto a repetir: nos próximos 15 dias a guerra contra a compra de votos precisa ser cada vez mais intensificada, isto porque, pela simultaneidade de suas futuras mas próximas ações, e as mesmas ocorrendo em todos os cantos e recantos do nosso Estado, os compradores votos apostam que a Justiça Eleitoral não irá dispor das condições minimamente necessárias para cumprir a tarefa a que se propôs realizar.
Assim sendo, não basta que deixemos a cargo da Justiça Eleitoral o cumprimento dessa missão. Além de votar, livre e soberanamente, o eleitor precisa denunciar todo e qualquer candidato, seja ele de que partido for, que tentar comprar seu voto. Do contrário a missão não será cumprida.





Antonio Muniz
Stalin Melo
Narciso Mendes
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