Voltar a ficar com duas horas de diferença de Brasília e do centro-sul do Brasil seria um atraso para o Acre.
Imaginemos um mundo em que cada localidade tivesse, sem precisar obedecer a nenhuma lei, regra ou convenção, o seu próprio horário. Sem causar o menor incômodo as suas populações este mundo já existiu, e a seu tempo, sem causar maiores incômodos as suas populações Por exemplo: até meados do século XIX a Europa chegou a adotar 27 horas distintas e a América, 72. Hoje, a Europa adota apenas três horas diferentes e a América 5. No Brasil não era diferente, enfim, por um longo período, enquanto no Rio de Janeiro eram 12 horas, em Recife eram 12 horas e 33 minutos e em Porto Alegre, 11 horas e 28 minutos.
Como àquele tempo a comunicação entre as pessoas e entre os países só seria possível à base do corpo a corpo - e dependendo da distância entre uma localidade e outra - uma notícia demorava vários dias para sair de sua origem e chegar ao seu destino, uma hora a mais ou menos, não fazia a menor diferença. Hoje, não mais.
Com o extraordinário avanço dos meios de transportes e, sobretudo, dos veículos de comunicação, o relacionamento entre as pessoas ficou profundamente facilitado. Por exemplo: hoje, na mesmíssima hora em que um fato está acontecendo na Austrália, lá do outro lado do mundo, nós brasileiros, estamos podendo assisti-lo ao vivo e a cores. Foi-se o tempo em que uma notícia, não raro, para chegar ao seu destino precisava ser transportada no lombo de um cavalo.
Com tais avanços, entre muitos outros igualmente importantes e que permitiram o nível de civilização que já alcançamos, deu-se a definição de uma hora padrão e que passasse a se constituir numa referência global. Desta feita, e como consequência disto, o mundo inteiro, sem exceção de nenhum país, passou a adotar a hora de Greenwich, em Londres, capital da Inglaterra, como tal referência. Seja para mais ou para menos.
O Brasil passou a adotá-la, oficialmente, no governo do então presidente da República, Hermes da Fonseca, em 1913. Definidos pelos círculos meridionais, portanto, por linhas imaginárias, dada a grande extensão leste/oeste de nosso país, passamos a ter quatro fusos horários. Atualmente, e em apenas dois deles, se concentram mais de 99% da população brasileira, e nos outros dois, menos de 1%. A mesma desproporção estende-se aos parâmetros de ordem política, econômica, industrial, intelectual e científico, e porque não se dizer, do PIB brasileiro.
Como incômodo para nós acreanos, restamos como o único Estado de nossa federação com duas horas de diferença de Brasília, nossa capital política, e dos mais importantes centros produtores do Brasil, entre eles: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, dos quais muito dependemos. Pior: quando da vigência do horário de verão, nossos horários se alargavam para as inconvenientes três horas.
À época do decreto presidencial que oficializou a adesão do Brasil a hora padrão mundial, algumas das mais importantes capitais do nordeste, entre elas, Recife e João Pessoa, embora houvessem caído no fuso horário que ainda continua sendo adotado em Fernando de Noronha, muito inteligente, suas autoridades optaram pelo fuso horário onde já se concentra a parte mais desenvolvida do país, desta feita evitaram um prejuízo que poderia se arrastar ao longo do tempo.
O Acre e cinco pequenos municípios do Estado do Amazonas, infelizmente, por não terem se prevenido dos prejuízos que a adoção de um fuso horário exclusivo poderia acarretar a sua vida econômica e social, com certeza, foi muito prejudicado.
Voltar ao horário passado, como quer e pretende o deputado federal Flaviano Melo, através do seu referendo, só tem uma justificativa: a baixa produção legislativa do seu atual mandato levou-o a propor tamanha estupidez. Não tem outra explicação.





Antonio Muniz
Stalin Melo
Narciso Mendes
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Paulo Parente, Xapuri
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