Que o último ditador desapareça da face da terra,pouco importando, se vivo ou morto.
O que está em curso no norte da áfrica e na Ásia Menor já pode e deve ser considerado como um dos maiores movimentos democráticos da história da humanidade, senão o maior, afinal de contas, em não havendo nenhum retrocesso, e rogamos que não haja, ao seu final não deverá restar um único ditador a infernizar os povos das referidas regiões, mormente se, a bola da vez, Muamar Kadafi, o tirano da Líbia, vier a ser arrancado do poder, preferencialmente vivo, ou morto se necessário for.
O ditador da Tunísia, Zine Bem Ali, foi o primeiro a cair. O do Egito, Hosni Mubarak, o segundo. Presentemente, e em apuros, encontra-se o mais emblemático deles, até por haver sido um dos mais perversos, Muamar Kadafi, o da Líbia. E ao que tudo indica, os ventos da democracia continuam soprando nas referidas regiões. O do Iêmen e o da Arábia Saudita, em se confirmando o bota-fora de Muamar Kadafi, que vão se cuidando, enfim, as praças de suas maiores cidades não tardarão a ser ocupadas pelo povo.
Desde a bem executada e democrática varredura feita pelo estadista Mikhail Gorbachev, cuja passagem pela presidência da finada URSS resultou no enterro de um punhado de ditaduras, nunca mais havíamos testemunhado tão auspicioso momento em favor da democracia, e não apenas de um país, isoladamente, e sim, de toda uma região, quanto os movimentos que ora estão invadindo as ruas e praças dos países das duas regiões do mundo onde ainda se concentram o maior número de ditaduras, e o mais importante: com o inquestionável propósito de destruí-la.
O mundo não mais poderia conviver com um paredão de países comandados por ditadores, e o norte da África juntamente com a Ásia Menor, formam este maldito paredão. Do Marrocos, no oceano Atlântico, ao Iêmen, no oceano Índico, passando por duas dezenas de países, onde todo e qualquer dos seus ditadores são vizinhos de outro ditador, é uma realidade que precisa ter fim. E que este fim esteja próximo, é o que todo o mundo está esperando.
Particularmente estou torcendo pelo desfecho da Líbia, até porque, em se confirmando a derrubada do truculento Kadafi, ficará bastante facilitada a derrubada dos demais, inclusive a do atômico Marmoud Armadinejad, do Irã, outro que é tão perverso quanto aquele. Aliás, não existe um único ditador que não seja perverso, até porque, em não sendo perverso não seria ditador.
Por se tratar de regiões fortemente influenciadas pelo islamismo e onde seus radicais sempre se colocaram a frente dos movimentos insurgentes, o que tem encantado o mundo tem sido o distanciamento desses radicais, afinal de contas, sair de uma ditadura e entra em outra, como foi o caso do Irã, não valeria a pena. Em síntese: são movimentos verdadeiramente populares, onde sequer existe a figura do líder. Por ser assim, o mundo inteiro está torcendo pelo sucesso de seus movimentos.
A nossa torcida é que o efeito dominó chegue até a última ditadura, lá no outro lado do mundo, e para nós, latino-americanos, que não demore muito, até porque, ainda resta por nossas bandas, o último gueto de tiranetes e que igualmente precisa ser erradicado. Os ventos que sopraram lá, também precisam soprar por aqui.
Hugo Chaves, da Venezuela, Evo Moralles, da Bolívia e Rafael Correia, do Equador, e tantos outros que se imaginam eternamente no poder, e muito especialmente, pelas nossas proximidades geográficas, continuem-se nas nossas maiores preocupações, afinal de contas, se ditaduras distantes já incomodam, em nossas vizinhanças, incomodam muito mais.
Espero que ao ocupar este espaço, na próxima semana, já possa falar sobre o nascimento da democracia na Líbia, pouco importando se Kadafi esteja vivo ou morto.





Antonio Muniz
Stalin Melo
Narciso Mendes