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A criminalidade está relacionada com a pobreza?

Em 1969 Philip Zimbardo, jurista e pesquisador da Universidade de Stanford, a fim de investigar se havia relação entre pobreza e criminalidade, tratou de realizar um experimento inédito: abandonou dois carros idênticos e em perfeito estado de conservação em regiões diversas. O primeiro foi deixado no Bronx, bairro humilde da cidade de Nova York, e o segundo em Palo Alto, região nobre no estado da Califórnia/EUA.

Após uma semana voltou aos locais e constatou que o primeiro carro, que foi deixado no humilde bairro chamado Brox, havia sido completamente depredado, subtraídas as rodas, bancos, rádio e motor. O que não era possível furtar foi completamente destruído. 

Já o segundo carro, deixado na nobre região da Califórnia, permaneceu ileso, exatamente como deixado no local. A conclusão, até então, parecia conduzir ao entendimento de que a pobreza estaria de fato relacionada à criminalidade. 

Todavia, antes do encerramento do experimento criminológico, o jurista      quebrou uma janela do carro situado na região nobre e manteve-o no mesmo local por mais um período. Para sua surpresa ao voltar ao local, constatou que o veículo ficou do mesmo estado que aquele deixado no humilde bairro Bronx.
 
A partir da observação desses fatos pode-se concluir que não é a pobreza que leva a prática de crimes, mas sim a ausência do Estado, ou seja, a sensação de que não haverá punição. Por isso no ano de 1994 em Nova York, sob a influência deste experimento, consagrou-se o movimento da Lei e Ordem através da política de tolerância zero à criminalidade.  

Pela notória repercussão do experimento, deu origem à Teoria das Janelas Quebradas - Broken Windows Theory, cujo cerne de defesa é no sentido de que a criminalidade, seu aumento ou diminuição, está intrinsicamente ligada à capacidade de punir do Estado, afastando-se de uma vez por todas o entendimento preconceituoso que relacionava a pobreza com a prática de crimes.

Ivan Domingues de Paula Moreira, advogado 

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