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Facebook se prepara para mudança enorme no feed -- e a culpa pode ser sua!

Por Neucimar Taveira

27 de Fevereiro de 2018 às 14:30:54

Recentemente Mark Zuckerberg anunciou alterações significativas na maneira como as atualizações aparecerão no seu feed de notícias, do Facebook. A plataforma deverá privilegiar postagens de pessoas conhecidas em detrimento do conteúdo postado por páginas de empresas e veículos de comunicação. O intuito é combater a disseminação de conteúdo nocivo, como as fake News. Como isso afeta a maneira que você interage nas redes sociais? Será que estamos usando a rede de maneira certa?

Aquilo que você vê diariamente na sua timeline do Facebook vai mudar. De acordo com o comunicado de Zuckerberg, a rede social agora dará prioridade para conteúdo publicado por familiares e amigos. Ou seja, você agora deve ver com muito mais frequência as imagens de gatinhos postadas por aquela sua tia, todo santo dia!

Isso não é necessariamente ruim. Em momentos de polarização ideológica o objetivo da plataforma é inibir a proliferação de conteúdo prejudicial, como as famigeradas fake News – ou notícias falsas em bom português – ou mesmo publicações que não sejam a ser falsas, mas exibem conteúdos sensacionalistas, pejorativos ou até mesmo agressivos.

De acordo com Zuckerberg, o conteúdo de pessoas com quem você conhece tem o potencial de aumentar o engajamento das publicações e, o mais importante, aproximar as pessoas. “O feedback da nossa comunidade informou que conteúdos públicos, como publicações de empresas, marcas e mídia, têm tirado o espaço de publicações pessoais que nos fazem conectar mais uns com os outros”, publicou o CEO do Facebook, em sua plataforma.

“Eu acho sempre importante pensarmos que a ideia da plataforma online não é amplificar os nossos problemas com as outras pessoas. Ela está aí para servir como um espaço para nós podermos discutir comunalmente as coisas”, reflete Mark Datysgeld, mestrando em relações internacionais sobre ação de normas de governança de Internet pelo curso San Tiago Dantas, ligado ao Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais da Unesp.

Fake News, no more

Em janeiro desse ano, Arthur G. Sulzberger Jr, o publisher do The New York Times assinou um editorial a respeito da importância da imparcialidade jornalística e sobre a tendência inevitável de que as notícias sejam consumidas cada vez mais em meios eletrônicos e online.

“Nossa sociedade mais uma vez tem sido remoldada por forças políticas, tecnológicas e ambientais, que demandam apuração profunda e explicações cuidadosas. (…) Esse, é claro, também um período desafiador para o The Times, para os veículos de imprensa de maneira geral, e para todos aqueles que acreditam que o jornalismo sustenta uma sociedade mais saudável”, escreveu Sulzberger.

Algumas das mudanças propostas pelo Facebook já foram testadas em países, como Eslováquia e Bolívia. Entretanto, as ações da empresa caíram cerca de 5% na Nasdaq depois do anúncio de alteração do algoritmo mais polêmico do momento.

“Então, se o Facebook está fazendo uma mudança nesse sentido, seria interessante também as pessoas pararem para pensar no comportamento delas. Será que faz sentido, todo dia, toda hora, martelar sempre as mesmas questões políticas ou é interessante diversificar um pouco o debate até para expandir o seu horizonte pessoal, não é mesmo?”, questiona Mark Datysgeld, da Unesp.

No Brasil, a Folha de São Paulo anunciou que não publicará mais suas notícias na plataforma. A iniciativa é polêmica, mas pode confirmar a tendência de desgaste do Facebook e de outras plataformas sociais semelhantes.

“As pessoas que acompanham esse tipo de tecnologia estão viciadas em poucos temas. E isso é bastante empobrecedor para elas. Não constitui uma educação muito saudável. É uma boa oportunidade para todo mundo dar uma pensada. Para ver se a gente consegue se acalmar um pouco. Afinal, gente indo para o psiquiatra por causa do Facebook é um sinal dos tempos e a gente precisa dar uma segurada”, pondera o especialista da Unesp.

 

 

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