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Como saber se seus dados do Facebook foram usados pela Cambridge Analytica

Por Neucimar Taveira

09 de Abril de 2018 às 17:23:44

 

A partir desta segunda-feira, 9, o Facebook vai começar a avisar os 87 milhões de usuários que tiveram seus dados pessois usados ilicitamente pela consultoria Cambridge Analytica, no escândalo revelado em março e que tem abalado a imagem da rede social. Segundo o Facebook, mais de 440 mil brasileiros estão no grupo – mas como saber se você foi um deles? 

Segundo o Facebook, todos os 2,13 bilhões de usuários da rede social vão receber nesta segunda-feira ou nos próximos dias, avisos como os exibidos na imagem que ilustra este texto. Por enquanto, as notificações ainda não começaram a ser exibidas no Brasil – procurada, a assessoria de imprensa do Facebook ressaltou que os avisos aparecerão "de forma gradativa" pelo mundo.

A empresa também não divulgou como serão os dois textos em português a serem exibidos para os usuários. O teor deles, porém, deve ser parecido com os feitos em inglês e já disponíveis para usuários americanos. 

Imagem mostra os dois tipos de aviso que serão exibidos aos usuários do Facebook a partir desta segunda-feira; à esquerda, mensagem para a maioria das contas. Já à direita, está a publicação que será exibida para quem teve dados coletados pela Cambridge Analytica

Imagem mostra os dois tipos de aviso que serão exibidos aos usuários do Facebook a partir desta segunda-feira; à esquerda, mensagem para a maioria das contas. Já à direita, está a publicação que será exibida para quem teve dados coletados pela Cambridge Analytica

 

Dois grupos. Para aqueles que não tiveram seus dados coletados pelo teste This Is Your Digital Life, a empresa vai exibir um comunicado simples, como o que está à esquerda da imagem. Nele, a empresa fala sobre a importância de manter dados seguros. No link em azul, será possível acessar a área de permissões concedidas a aplicativos e sites vinculados à conta do usuário no Facebook. Depois, os usuários poderão desativar o uso de apps dentro da plataforma, caso assim desejem

Já para quem teve seus dados afetados, a empresa mandará uma notificação como a que aparece na direita da imagem. Além de ressaltar a importância da segurança dos dados, a empresa explica que as informações da pessoa podem ter sido "mal utilizadas por uma empresa chamada Cambridge Analytica". No link em azul, será possível ver como as informações foram afetadas. 

Prólogo

Em 28 de outubro de 2003, Mark Zuckerberg lança o Facemash, um predecessor do Facebook. Usando fotos do sistema de alunos de Harvard, o site pedia aos usuários que escolhessem qual era a garota mais ‘atraente’ entre duas opções. 

 

 

Entenda o caso. Reportagens dos jornais The New York Times e The Observer, de Londres, revelaram que a empresa de inteligência Cambridge Analytica colheu informações privadas de mais de 50 milhões de usuários do Facebook, em um esforço para beneficiar a campanha eleitoral do presidente americano, Donald Trump, em 2016.

A empresa britânica de inteligência digital coleta e relaciona dados para ações de marketing digital feitas por companhias e políticos. No caso em questão, ela usou o método para desenvolver ações para influenciar o cenário político americano e favorecer Trump.

Atingir o objetivo só foi possível graças a uma parceria com outra empresa, a também britânica Global Science Research, liderada por Aleksandr Kogan, pesquisador da Universidade de Cambridge. Ele criou um quiz online, chamado This is your digital life (Esta é sua vida digital), que exigia que as pessoas conectassem sua conta do Facebook para ser acessado. Isso permitiu que o quiz de Kogan obtivesse informações pessoais dos usuários da rede social e de seus amigos.

Os dados obtidos por meio do teste foram vendidos pela Global Science à Cambridge Analytica, numa clara violação aos termos de uso do Facebook. Isso permitiu que a empresa de inteligência cruzasse dados com outras fontes e chegasse a um perfil preciso das pessoas, usado para enviar mensagens direcionadas – incluindo notícias falsas – para influenciar votos.



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