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Que assim seja

Que assim seja

 

                             Que o senador Aécio Neves assuma o comando da oposição, tudo bem, desde que não pense que haverá um terceiro turno.

 

         Quanto mais crítica, exigente e fiscalizadora for a oposição, melhor será para a nossa e para qualquer outra democracia, até porque, oposição que se preze, tem que ser vigilante. Ademias, governo sem oposição quase sempre acaba desaguando no autoritarismo ou em coisas ainda piores.        

         Entretanto, para legitimar-se como comandante em chefe de nossa oposição, a primeira coisa que o senador Aécio Neves tem que entender, não somente ele quanto seus seguidores, é que a oposição se faz contra o governo e não ao país, aos partidos que estão no poder e não contra a própria democracia.

         Para tanto, o senador Aécio Neves precisa compreender que o “perdeu ganhando” que ele costuma atribuir a si mesmo, tem um significado diametralmente oposto ao “ganhou perdendo” que ele recorrentemente vem atribuindo à presidente Dilma Rousseff. Tanto tem que ele perdeu e ela ganhou, e por uma diferença de exatos 3.459.963 votos, diga-se de passagem, por uma maioria considerável.   

         Para se fazer respeitado como comandante em chefe de nossa oposição, antes de qualquer coisa, o senador Aécio Neves não pode continuar transmitindo a sensação que não engoliu, e se engoliu não dirigiu, a derrota que sofreu na disputa presidencial próxima passada, enfim, este comportamento só nos lembra o tipo de oposição feita por Carlos Lacerda, qual seja, quanto pior for o governo, melhor para a oposição.   

          Para fazer girar a roda do poder, a oposição precisa aproveitar seu tempo e não ficar gastando-o à toa, particularmente, relembrando fatos, verdadeiros ou mentirosos, que surgiram no curso da última disputa eleitoral. Enfim, que atire a pedra o candidato que nunca mentiu no curso de uma campanha. Neste particular vale lembrar uma expressão cunhada pelo estadista Otto Von Bismarck: nunca se mente tanto quanto às vésperas de uma eleição, durante uma guerra e depois de uma pescaria.

         Acusar a presidente Dilma Rousseff de mentirosa, e até mesmo de caloteira, pelo fato dela haver indicado uma equipe altamente qualificada, e acima de tudo, apartidária, para comandar a política econômica do seu governo, definitivamente, não é o tipo de oposição que atenderá os interesses do nosso país.

         Oposição que acusa o que fez quando esteve no governo, e que por certo, faria o mesmo, caso voltasse ao poder, é o tipo de oposição que não convém a nossa democracia. Vide o que aconteceu com a CPMF, o apelidado imposto do cheque. Só para lembrar: a CPMF foi criada no governo dos tucanos, entretanto, ao se tornarem opositores, cuidaram de eliminá-lo. O mesmo se deu com a lei recentemente aprovada e que permitiu a mudança do superávit primário. Não foi o governo da presidente Dilma Rousseff que, pela primeira vez, mudou a referida meta, foi sim, o governo FHC.

         Acusar a presidente Dilma Rousseff por permitir o aparelhamento partidário da máquina pública do seu governo, jamais deveria se constituir num dos itens de pauta de seus opositores, até porque, outro não foi o critério que levou o então presidente FHC a fazer do senador Renan Calheiros seu Ministro da Justiça e vários outros peemedebistas que aparelharam o seu governo.

         

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