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O valor da palavra

O valor da palavra

Neste mundo há muitas palavras e poucos ecos.

Johann Goethe.

 

Em relação à Operação Lava-jato, uma verdade precisa ser dita: seus condutores, e em particular, o juiz Sérgio Moro, tem tido um comportamento exemplar, até porque, não há registro de um só episódio do qual ele tenha se aproveitado no sentido ganhar notoriedade pessoal. Infelizmente, o mesmo não se pode dizer de parte da nossa grande imprensa, enfim, ao transformar as palavras de alguns criminosos confessos em verdade, e de posse delas, passar a enxovalhar a reputação de pessoas que se dizem inocentes, e até prova em contrário as são, com certeza, é um desvirtuamento da própria liberdade de expressão da qual a imprensa tanto precisa e que jamais lhes poderá ser negada.

O escritor e prêmio Nobel, André Gide, já dizia: A liberdade é difícil de se alcançar, mas o que fazer com a liberdade é muito mais difícil. O filósofo John Stuart Mill foi mais além, e chegou a dizer: o preço da liberdade é a eterna vigilância. Enfim, liberdade e responsabilidade precisam andar juntas.

O combate ao crime e, sobretudo, a impunidade de quem dele participa, tem se tornado cada vez mais necessário, do contrário, seria premiar os próprios criminosos, entretanto, nada é mais injusto que um inocente assistir o seu nome envolvido num escândalo de proporções gigantescas. O petrolão caminha para ser, tamanho tem sido o espalhafato feito pela nossa imprensa, um caso típico de assassinato de reputações de pessoas inocentes.

O objetivo desse artigo diz respeito às delações premiadas de dois bandidos confessos: Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras e o doleiro Alberto Youssef, comparsas da quadrilha que foi montada para assaltar a Petrobras. Que as investigações da Operação Lava-jato se valha das informações, dos documentos e dos rabiscos encontrados em poder destes dois bandidos, tudo bem, afinal de contas, pior que isto seria a regra do silêncio, à omertà, que tanto interessam as organizações criminosas.

Ocorre que, ao conferir crédito absoluto às informações colhidas destes dois bandidos podem resultar num gravíssimo comportamento de nossa imprensa, até porque, entre passar o resto de suas vidas encarcerados, e tentar amenizar as suas condenações falseando informações, por certo, os criminosos optarão pela segunda alternativa. Daí o cuidado que a imprensa deveria ter antes de levar os nomes de pessoas à execração pública, sem comprovar que suas acusações são procedentes.

Vamos ao que interessa: o bandido confesso, Paulo Roberto Costa, disse que repassou recursos para ajudar numa das campanhas do governador Tião Viana, para ser mais preciso, na eleição de 2010. A par disto, o governador Tião Viana, peremptoriamente, nega ter recebido qualquer ajuda do tal Paulo Roberto e que nunca o procurou, nem pessoalmente e nem via terceiros, na busca de tal ajuda. Ainda assim, para a nossa imprensa, a palavra de um bandido parece ter mais eco do que a palavra de um governador que acaba de ser reeleito.

Infelizmente, chegamos a este ponto!

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