O Rio Branco

Hoje é 21 de Maio de 2019

Nas tetas do FIES

Por Artigo do Narciso

17 de Março de 2015 às 10:08:16

ARTIGO DO NARCISO

 

Nas tetas do FIES

Quando um programa social não é controlado e nem avaliado, os trapaceiros passam a persegui-lo.    

        

Criado em 2010 e movido dos melhores propósitos, o FIES foi instituído. De lá para cá, ano a ano, por falta dos indispensáveis controles, os gastos para mantê-lo atingiram um nível tal que, a sua própria manutenção encontra-se ameaçada, afinal de costas, o programa se transformou, menos para atender os estudantes carentes que buscam fazer um curso de nível superior e mais para satisfazer os interesses mercantis dos donos das faculdades particulares. A seguir, em números, o irresponsável crescimento do FIES, seja de alunos matriculados e seus extravagantes gastos;

         2010 - 76.000 alunos financiados ao custo de R$810 milhões.

          2011 - 230.000 alunos financiados ao custo de R$1,84 bilhões.

          2012 - 608.000 alunos financiados ao custo de R$4,48 bilhões.

          2013 - 1.200.000 alunos financiados ao custo de R$7,57 bilhões.

          2014 - 1.900.000 alunos financiados ao custo de R$13,75bilhões.

          Bastariam os números acima para evidenciar a total e absoluta impossibilidade de mantê-lo, até mesmo nos atuais patamares, quais sejam: 1.900.000 alunos e gastos de R$13,75 bilhões e na frouxidão como vinha sendo administrado, em 2015, sua clientela passaria dos 2.000.000 de alunos e seus custos ultrapassariam a casa dos inimagináveis R$15 bilhões.  

         Nada contra o FIES, enfim, volto a repetir: trata-se de um programa social carregado dos melhores propósitos, entre eles, o de possibilitar aos estudantes pobres cursar e concluir seus estudos em nível superior, até porque, se as faculdades públicas não dispõem de vagas em número suficiente para atendê-los, que as faculdades privadas, passem a ajudar no cumprimento de tão importante tarefa.       

         Infelizmente, não é isto que está acontecendo. No quesito qualidade de ensino, seguramente, mais da metade das nossas faculdades particulares, criadas e/ou ampliadas nos últimos quatro anos, sequer teriam aberto suas portas, simplesmente porque, o FIES não foi criado com o objetivo de financiar fabriquetas de doutores, e sim, para melhorar a qualidade do ensino superior do nosso país.      

         Não menos irresponsável tem sido a forma como os alunos das tais faculdades vinham sendo arregimentados.  Neste particular, o descontrole era total. Independente da bagagem de conhecimento, um potencial aluno não encontrava dificuldade para fazer sua matrícula, até porque, para tais faculdades, sua principal prioridade diz respeito à ampliação de suas clientelas, e não com a qualidade do ensino.   

         Por fim: o FIES não pode continuar fazendo o papel de vaca leiteira, em cujas tetas, as fabriquetas de doutores se alimentam. 



Confira os Últimos Artigos


Compartilhar