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Eis a questão

Eis a questão   

No Brasil, particularmente, o político prega o que não pratica e pratica o que não prega.

         Em nosso país, todos os escândalos que mereceram o rótulo de “o maior de nossa história”, tiveram vidas curtas, e o pior: deles não conseguimos tirar lições para se combater a corrupção. E por quê? Porque vem outro, ainda mais cabeludo e, portanto, o velho escândalo é lançado na vala comum do esquecimento. Até mesmo nossa imprensa, a despeito dos seus relevantes serviços na luta contra a corrupção, também os esquecem, enfim, qual o veículo de comunicação que continuaria cedendo seus melhores espaços para tratar das velhas velhacarias quando um novo escândalo, e de proporções ainda mais avantajadas, lhes renderiam manchetes e reportagens, igualmente oportunas e mais atualizadas?       

        Sem que o objetivo seja o de render-lhes qualquer homenagem, pois ditadura nenhuma merece ser homenageada, no quesito corrupção, a nossa democracia não tem sido capaz de produzir bons resultados. Pelo contrário. Neste particular a nossa democracia tem nos proporcionado os piores exemplos quando se trata do zelo com a coisa pública.   

        De Sarney a presidente Dilma Rousseff, passando por Collor, Itamar, FHC e Lula, todos, sem exceção, conviveram com escândalos surgidos em seus próprios governos. A propósito, todos eles ficaram marcados por um mega-escândalo: Sarney, com os seus cinco anos de mandato, Collor com o seu impeachment, Itamar com os anões do orçamento, FHC com a aprovação da emenda da reeleição, Lula com o mensalão e a presidente Dilma Rousseff com o petrolão. Em tempo: todos estes escândalos contaram com a autoria, e quando não, com a participação dos nossos partidos políticos e seus integrantes com assento no Congresso Nacional. 

        Das duas, uma: ou as fábricas de escândalos serão fechadas ou o próximo será maior que o petrolão, enfim, de uma estrutura partidária como a nossa, presentemente, composta de 32 partidos já legalizados e outros 22 apenas esperando que o TSE-Tribunal Superior Eleitoral os autorizem a entrar em ação, não há governo que sobreviva sem apelar para o aparelhamento de sua própria máquina pública.

         Como a presidente Dilma Rousseff conseguirá compor suas indispensáveis maiorias parlamentares sem ter que entregar metade do seu governo, os ministérios, particularmente, para serem ocupados por elementos indicados pelos partidos políticos? A pergunta seria a mesma se o eleito houvesse sido o senador Aécio Neves.

         É a nossa bagunça partidária que impõe a existência de 40 ministérios, do contrário, o governo consegue, nem hoje e nem nunca, compor suas maiorias parlamentares. Os próprios peemedebistas não se cansam de afirmar: ninguém governa o Brasil sem o apoio do PMDB.

         Não é do jogo de sua cintura que a presidente Dilma Rousseff precisa  para compor sua maioria parlamentar, é sim, de uma reforma política que acabe com os partidos políticos de aluguel que o Brasil precisa.

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