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Benefícios sociais

Benefícios sociais

Sem os devidos controles, todo e qualquer programa  social acaba sendo desvirtuado. Vide o FIES. 

        

Num país socialmente desigual quanto o nosso, não basta apenas a instituição de programas sociais, enfim, tão ou mais importante, vem ser seus gerenciamentos, até porque, sem os devidos e indispensáveis controles e suas consequentes avaliações, seus objetivos fins jamais serão alcançados, a despeito de tornarem-se insustentáveis do ponto de vista financeiro. Haja vista o que está acontecendo com o FIES. Só em 2014, os gastos com este programa chegou à casa dos R$-13,75 bilhões.    

Verdade seja dita: nos últimos doze anos o governo federal, não só criou como ampliou programas sociais importantíssimos como o Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, Seguro Desemprego, Fies, entre outros. Diga-se de passagem, todos muito bem-vindos. Infelizmente, o mau gerenciamento de alguns deles, o FIES, particularmente, não trouxe os resultados que seriam esperados, a não ser para os donos das centenas e centenas de faculdades particulares que, transformadas em fabriquetas de doutores, passaram a proliferar nos quatro cantos do nosso país.    

No que dependesse dos bons propósitos destes programas, tudo levaria a crer que as nossas mais gritantes desigualdades seriam amenizadas. Não por acaso, alguns destes programas mereceram elogios da própria ONU e alguns deles tornaram-se referência para as políticas sociais implantadas em diversos outros países.  

           Entre estes programas, nenhum deles tem sido mais grotesco e perversamente manipulado quanto o FIES, afinal de contas, no interesse econômico das faculdades particulares, senão de todas, mas da grande maioria delas, o referido programa tem sido usado, predominantemente, como fonte de receitas e não de transmissão de conhecimentos.   

         Infelizmente, tais faculdades passaram a utilizar o FIES como um instrumento para aumentar suas clientelas, sem terem maiores preocupações com a qualidade de ensino que oferecem. A declaração do presidente do CFM-Conselho Federal de Medicina, Carlos Vital, ao pregar o fechamento de no mínimo 20% das faculdades de medicina existentes em nosso país, reflete esta triste realidade. É também de sua lavra a seguinte e preocupante declaração: as nossas faculdades estão formando médicos que não sabem fazer um diagnóstico de pneumonia. 

         Nada mais emblemático para comprovar a desordem do FIES que uma informação prestada pelo renomado jornalista e escritor Elio Gastari. Ao ter identificado que uma dessas faculdadezinhas, em 2010, contava com apenas 27 alunos, e em 2014, seu contingente ter aumentado exponencialmente para 1272 alunos, e deste total, apenas quatro não eram bancados pelo FIES, segundo ele, bastaria este exemplo para levantar as mais fortes suspeições.

         Mesmo se estivéssemos vivendo em tempos de vacas gordas, ainda assim, o FIES precisava de controles e avaliações, e como estamos em tempos de vacas magras, ou seja, de ajustes fiscais, mais ainda. Do contrário, o próprio programa não sobreviverá.

Portanto, em favor da qualidade de educação superior do nosso país e em defesa do nosso erário, tais fabriquetas de doutores precisam fechar suas portas ou mudarem de ramo.

 

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