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A quem responsabilizar

A quem responsabilizar

 

Contra o envelhecimento do poder só há um únicoremédio: um recomeço com novas ideias e novas caras.

 

         Na pessoa da presidente Dilma Rousseff o PT completará 16 anos no comando político-administrativo do nosso país, e na do governador Tião Viana, 20 anos à frente do comando de nosso Estado, diga-se de passagem, dois feitos praticamente improváveis, particularmente, quando há que se levar em consideração que tais longevidades resultaram de eleições legítimas e legalmente reconhecidas.

         Portanto, responsabilizá-los pelo fato de terem disputado suas reeleições mantendo-se no exercício de seus respectivos mandatos, não deveria ser uma acusação que devesse partir de nenhum tucano, enfim, foi o próprio PSDB quem a instituiu em nossa legislação eleitoral.   

         Bem mais importante que as eleições propriamente ditas e o cumprimento de um calendário eleitoral previamente estabelecido, em toda e qualquer democracia, são os procedimentos que regem suas eleições, até porque, quando viciadas, só vem favorecer os sedentos pelo poder, e aqueles que nele chegando, nele pretendem se perpetuar. Vide o que está acontecendo na Venezuela, na Bolívia e em vários outros países do mundo.

         No Brasil, a começar pelas regras que disciplinam as nossas eleições, e em particular, e dada a nossa pobre cultura política, ao invés de a cada nova eleição nossa democracia se fortalecer, ocorre exatamente o contrário, ou seja, não apenas os seus já costumeiros vícios são repetidos, como surgem novos outros. Até parece que estamos numa corrida rumo ao precipício.

          A presidente Dilma Rousseff, segundo seus adversários, cuja reeleição, em parte, só foi possível em razão do uso da máquina pública, e até acredito que sim, ainda assim, nenhum dos seus pecados foi maior que aquele cometido pelo então presidente FHC, até porque, e tão somente a ele, haveremos de responsabilizar pela aprovação da emenda constitucional que introduziu em nossa legislação o instituto da reeleição, e o mais grave: em benefício próprio. Resumindo-se: o que foi remédio para a própria reeleição do então presidente FHC, tornou-se veneno quando os tucanos José Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves ao disputarem o lugar que um dia foi seu.

         Se o instituto da reeleição, uma invenção “mede in PSDB” permite o uso da máquina pública em favor de todo e qualquer governante que se candidata à reeleição, jamais esta excrescência poderia ter sido instituída no governo do mais, supostamente preparado, político e intelectual, presidente da nossa República, no caso, o ex-presidente FHC.

         A ameaça está posta, e quem dela duvidar, resta aguardar pelo pior, afinal de contas, se não for feita uma ampla e radical reforma política em nosso país, coisas boas não advirão decorrentes da nossa atual legislação eleitoral e partidária. Coisas ruins, por certo, estão a nos esperar.                             

         Das duas, uma: ou moralizamos os nossos partidos políticos, e a partir de então, nossa representação política, ou nossa democracia não fortalecerá. Pelo contrário, será a principal vítima da anarquia que tomou conta do nosso ambiente político-partidário-eleitoral. 

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