Colunistas

Apenas chavões

Direita e esquerda são rótulos que se atribuem  aos políticos. Repito: apenas rótulos.      

A expressão “in medio stat virtus”, traduzindo-a: “a virtude está no meio”, de autoria do excepcional filósofo Aristóteles, tinha um significado bastante amplo, e não tão somente, se prestava como uma régua político ideológica.

.        Politicamente falando-se, ser de “esquerda ou de direita”, são apenas rótulos, e como rótulos, cada um o utiliza da forma que melhor lhes convier. À propósito, no nosso atrasadíssimo continente latino-americano, tais rótulos persistem, e o pior ainda: seguidos da mais variadas sub-divisões.  Entre os que se dizem de esquerda, há quem se diz da extrema esquerda e, portanto, com visões divergentes. Entre os que se dizem de direita, há quem se diz de extrema direita e, portanto, com visões divergentes. E o nosso centro, digamos assim, o virtuoso, espertamente também se dividiu entre os que flertam com a esquerda e os que flertam com a direita. Resumindo: no nosso avantajado cardápio ideológico tem lugar para todos os oportunistas políticos. 

.        Tais chavões ganharam força quando da revolução francesa, e pelo simples fato: nas suas conturbadas assembléias, os defensores da nobreza, chamados de girondinos, sentavam-se à direita, e os contrários, chamados de jacobinos, sentavam-se à esquerda.

.        Lamentavelmente, com o passar dos tempos, os chavões “esquerda e direita” se incorporaram a linguagem política, predominantemente, nos países politicamente atrasados, e passaram a contribuir nas disputais eleitorais, particularmente, no nosso país. Ainda assim, não há registro em nossa história de nenhuma gestão exitosa cujos governantes tenham mantido sua bandeira eleitoral.

.        No discurso, verdade seja dita, as pregações dos chamados esquerdistas são mais atraentes e sedutoras, afinal de contas, o respeito à justiça social, por si só, já seria o bastante. Não menos importante, vem ser a bandeira empunhada pelos direitistas, qual seja: a da liberdade individual.

         Para o cientista político, Norberto Bobbio, independente de tais chavões, o desejável seria conseguirmos diminuir as desigualdades sociais e respeitarmos as liberdade individuais, isto porque, ambas são fundamentalmente importantes para o fortalecimento da nossa e de qualquer outra democracia.

         Nossos esquerdistas, direitistas e centristas, nas suas mais variadas versões, já se revelaram bastantes competentes nas elaborações dos seus diagnósticos, entretanto, como terapêuticas, vêm revelando irresponsáveis e incompetentes. Vide as crises, cá dentro e mundo afora.

.        Na eleição presidencial, próxima passada, a fragmentação irresponsável do nosso centro político, foi quem possibilitou que a “gran finalle” viesse ocorrer entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, dois anti-candidatos, e em 2022, caso a polaridade/esquerda direita permaneça, sabe-se lá o que irá acontecer.

         Entre direita e esquerda precisamos, aí sim, passarmos a votar certo e não errado.

 

Artigos Publicados

Não pode

Pornográfica

Regulamentação e censura

Incrível