O Rio Branco

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Direito e dever

Por Artigo do Narciso

31 de Julho de 2018 às 08:09:05

De um direito podemos abdicar, mas de um dever nunca.

         Num país que se diz democrático à obrigatoriedade do voto soa um tanto quanto paradoxal. Mas no nosso caso, até que o conjunto de nossa sociedade passe a entender que para além de um direito o voto é um dever cívico, tal obrigatoriedade, mesmo questionável, se faz necessária. 

         Que a nossa classe política tem deixado a desejar é fato.  Mas é justamente por isto que, para além de um direito, o voto se transformou num dever imperativo e irrenunciável, até porque, só e somente só, Sua Excelência, o eleitor, poderá torná-la, quando não a desejável, pelo ao menos, a menos indesejável. 

.        Portanto, àqueles que não participam dos nossos processos eleitorais e, sobretudo, àqueles que se negam a votar, não devem e não podem reclamar da má qualidade da nossa representação política. À propósito, já dizia Platão: “Nada há de errado com àqueles que não gostam de política, apenas serão governados por àqueles que gostam”.   

.        Em toda a nossa história republicana nunca a soberania popular, se fez tão necessário e indispensável, até porque, o sucessor do presidente Michel Temer irá carecer, não apenas da legalidade que o próprio processo eleitoral irá lhes conferir, sim e também, de legitimidade.   

.        Portanto, àquele que se recusar a votar, particularmente, na próxima eleição, descumprirão um dever cívico e, certamente, contribuirão com a manutenção da mesmice. Diria mais: àqueles que se dizem insatisfeitos, ou até mesmo revoltados com os nossos atuais representantes políticos deveriam ser os primeiros a contribuir com as mudanças, jamais se acumpliciarem com o continuísmo.    

         O “não vou votar porque nenhum político presta” é, sem dúvidas, a mais desastrosa decisão de todo e qualquer eleitor, afinal de contas, os maus políticos dão graças a Deus quando os eleitores que se dizem indignados com a nossa classe política decidem pelo “não voto”. .  

         Bem disse José Ortega y Gasset: É imoral pretender que uma coisa desejada se realize magicamente, simplesmente porque a desejamos. Só é moral o desejo acompanhado da severa vontade de prover os meios de sua execução. Desta sábia e oportuníssima expressão podemos concluir que os “não eleitores” perdem o direito de reclamar dos maus políticos, pois suas omissões acabam favorecendo as eleições dos maus políticos. 

.        Se segundo Carlos Drummond de Andrade “ninguém é igual a ninguém e todo ser humano é um estranho ímpar”, quando chamado a se pronunciar, e é para isto que existe às eleições, já que todos os candidatos não são iguais, bastaria que os eleitores não votassem nos candidatos notoriamente ruins para melhorar a qualidade da nossa representação política e da nossa própria democracia.

         Não é a atividade política que alça um candidato incompetente e/ou desonesto ao poder. Lamentavelmente, tem sido a cumplicidade dos maus eleitores, e isto precisa ser dito, somada a omissão dos bons eleitores que tem impedido a consolidação da nossa democracia.

 

 



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