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Vício de origem

A nossa República nasceu mal nascida e sempre foi demasiadamente maltratada. Eis a questão.

Politicamente, somos um país que vai dos oito aos ostentas sem que as suas naturais consequências sequer sejam previstas. Portanto, quando nos reportamos ao aprimoramento da nossa República, os péssimos exemplos abundam. Desta feita, não posso concordar quando assisto as nossas mais destacadas autoridades reverberarem que vivemos num ambiente republicanamente saudável. A título de estímulo, vá lá, porém, a luz da nossa própria história, nada mais equivocado. Para tanto, bastaria observarmos o monte de rótulos que já lhes fora atribuído: República dos Marechais, República do Café com Leite, Velha República e Nova República, entre outras. Daí a pergunta: qual rótulo, ou quem sabe até, o apelido será dado à República que emergiu das eleições de 2018?

Vamos a um dos exemplos que bem caracteriza os solavancos pelos quais a nossa República já teve que passar: o seu proclamador, Marechal Deodoro da Fonseca era monarquista e D. Pedro II, o imperador deposto tinha alma republicana. Nada mais paradoxal!

Cartas e documentos da época dão conta que embora tenha ocupado o trono brasileiro, por 49 anos, D. Pedro II tinha convicções republicanas, enquanto o Marechal Deodoro da Fonseca defendia a monarquia. Em resposta a uma carta dirigida pelo seu sobrinho, Clodoaldo Fonseca, este por sua vez, integrante da mocidade militar liderada por Benjamin Constante, ardoroso defensor da República, assim se reportou: “República no Brasil é coisa impossível porque será uma verdadeira desgraça.

Proclamada a nossa República, coube ao Marechal Deodoro, no dia 15 de novembro de 1889, ocupar a sua presidência, porém, provisoriamente. Ainda assim, sob a sua gestão, foi escrita a nossa primeira constituição republicana, e em razão desta, foram marcada as eleições que escolheria os mandatários da nossa nascente República, desta feita, sob a luz, ou a penumbra, da nova constituição, afinal de contas, o processo eleitoral dera-se indiretamente, ou seja, sem o veredicto popular. Dela resultaram as eleições do próprio Marechal Deodora da Fonseca, à presidência, e do Marechal Floriano Peixoto, a vice-presidência. Dada a presença desses dois generais, a nossa República ganhou o rótulo: República das Espadas.   

Embora eleito para cumprir um mandato que iria até o ano de 1894 o presidente Deodoro da Fonseca se viu obrigado a renunciá-lo, o que aconteceu no dia 23 de novembro de 1891. Ora, se até a primeira eleição ocorrida no nosso regime republicano/presidencialista ficou marcado por crises e levou a renúncia do seu primeiro presidente, o que tem acontecido, de lá para cá, não devia nos causar a menor estranheza. E pior será, enquanto for mantido o regime presidencialista que está aí.

 

 

 

 

                                                              Vício de origem.


.                                      A nossa República nasceu mal nascida e sempre foi demasiadamente maltratada. Eis a questão.
Politicamente, somos um país que vai dos oito aos ostentas sem que as suas naturais consequências sequer sejam previstas. Portanto, quando nos reportamos ao aprimoramento da nossa República, os péssimos exemplos abundam. Desta feita, não posso concordar quando assisto as nossas mais destacadas autoridades reverberarem que vivemos num ambiente republicanamente saudável. A título de estímulo, vá lá, porém, a luz da nossa própria história, nada mais equivocado. Para tanto, bastaria observarmos o monte de rótulos que já lhes fora atribuído: República dos Marechais, República do Café com Leite, Velha República e Nova República, entre outras. Daí a pergunta: qual rótulo, ou quem sabe até, o apelido será dado à República que emergiu das eleições de 2018?
Vamos a um dos exemplos que bem caracteriza os solavancos pelos quais a nossa República já teve que passar: o seu proclamador, Marechal Deodoro da Fonseca era monarquista e D. Pedro II, o imperador deposto tinha alma republicana. Nada mais paradoxal!
Cartas e documentos da época dão conta que embora tenha ocupado o trono brasileiro, por 49 anos, D. Pedro II tinha convicções republicanas, enquanto o Marechal Deodoro da Fonseca defendia a monarquia. Em resposta a uma carta dirigida pelo seu sobrinho, Clodoaldo Fonseca, este por sua vez, integrante da mocidade militar liderada por Benjamin Constante, ardoroso defensor da República, assim se reportou: “República no Brasil é coisa impossível porque será uma verdadeira desgraça.
Proclamada a nossa República, coube ao Marechal Deodoro, no dia 15 de novembro de 1889, ocupar a sua presidência, porém, provisoriamente. Ainda assim, sob a sua gestão, foi escrita a nossa primeira constituição republicana, e em razão desta, foram marcada as eleições que escolheria os mandatários da nossa nascente República, desta feita, sob a luz, ou a penumbra, da nova constituição, afinal de contas, o processo eleitoral dera-se indiretamente, ou seja, sem o veredicto popular. Dela resultaram as eleições do próprio Marechal Deodora da Fonseca, à presidência, e do Marechal Floriano Peixoto, a vice-presidência. Dada a presença desses dois generais, a nossa República ganhou o rótulo: República das Espadas.   
Embora eleito para cumprir um mandato que iria até o ano de 1894 o presidente Deodoro da Fonseca se viu obrigado a renunciá-lo, o que aconteceu no dia 23 de novembro de 1891. Ora, se até a primeira eleição ocorrida no nosso regime republicano/presidencialista ficou marcado por crises e levou a renúncia do seu primeiro presidente, o que tem acontecido, de lá para cá, não devia nos causar a menor estranheza. E pior será, enquanto for mantido o regime presidencialista que está aí.

 

 

 

 

 

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