O Rio Branco

Hoje é 13 de Novembro de 2018

Tempestade perfeita

Por Artigo do Narciso

29 de Janeiro de 2018 às 09:57:06

Nos últimos quatros anos, feito caranguejo, o nosso país só tem andado pra trás.

         Politicamente, economicamente, socialmente e institucionalmente, para nós, brasileiros, o quadriênio 2014/2018, não poderia ter sido mais desastroso. Em nada avançamos e em tudo retrocedemos. Até no futebol, nossa maior paixão, formos humilhantemente derrotados. Para tanto, basta que relembremos a goleada que sofremos da seleção da Alemanha, por 7x1, quando da disputa da mais recente copa do mundo. Pior ainda,  disputada no nosso próprio país.

         Se possível fosse, seria um quadriênio a ser esquecido. Entretanto, os estragos deixados foram tantos e tão prejudiciais que sequer podemos esquecê-lo, ou mais precisamente, que precisamos relembrá-lo sob pena de incorremos nos mesmos erros. Portanto, será mais uma das tarefas a ser desempenhada pelos nossos historiadores.  

.        Se lamentar uma dor passada, no presente, é criar outra dor e sofrer novamente, segundo Shakespeare, ainda assim, precisamos relembrar o quanto fomos irresponsavelmente maltratados pelas nossas elites dirigentes. Afinal de contas, as melhores lições poderão ser extraídas das grandes tragédias.

         Nossos três poderes, exatamente àqueles definidos pelo Barão de Montesquieu, em particular, o executivo e o legislativo, justamente os emanados pelo povo se apequenaram tanto e se desprestigiaram tanto, que a grande maioria da nossa sociedade não mais se sente representada por eles, e em conseqüência disto, deu-se a supremacia do poder judiciário e a quebra da independência e da harmonia entre eles.

         Se nos demais países, em situações análogas a que ora vivenciamos, a proximidade das eleições costumam diminuir as tensões, sobretudo, as de natureza política, não é isto que as próximas eleições estar nos prometendo, até porque, se o ex-presidente Lula se fez, ou fizeram dele, o presidenciável de maior prestígio eleitoral, conforme tem indicado os resultados de todas as pesquisas, retirá-lo da disputa pela via judicial me  parece ser uma decisão arriscada. Perdoem-me se eu estiver enganado.    

         Lula já disputou a presidência da República cinco vezes: perdeu três e ganhou duas. Nunca votei nele e não votarei caso ele se viabilize como candidato nas próximas eleições. Ainda assim, defendo a sua candidatura, pois se ele é um mito, só as urnas poderão consagrá-lo ou exorcizá-lo.

         Se Lula e Bolsonaro ameaçam chegar ao segundo turno, que responsabilizemos as múltiplas candidaturas, mais de uma dúzia, das tantas quantas se apresentam como seus adversários. Vide o que aconteceu nas eleições de 1989, na qual, Mário Covas, Ulisses Guimarães e Leonel Brizola assistiram o segundo turno disputado entre Collor e Lula.

        Se Lula não for candidato, para seus potenciais eleitores, àquele que vier suceder o presidente Temer não terá legitimidade, menos ainda, para fazer as duras, indispensáveis e antipopulares reformas constitucionais que o nosso país tanto precisa.

         Deixem o Lula ser candidato e vamos derrotá-la nas urnas.    

 



Confira os Últimos Artigos


Compartilhar