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Tempos tenebrosos

Estamos caminhando perigosamente rumo ao caos social.

Se não bastassem as crises econômicas e políticas que já vínhamos enfrentando, e há anos, eis que surgiu outra de natureza sanitária. Reporto-me à provocada pelo coronavirus. Deste maldito triunvirato, ao invés de nos precavermos de uma crise de natureza social, ou mais precisamente, do caos, uma quarta crise vem sendo perigosamente ensaiada, no caso, uma crise de natureza institucional.

Daí a pergunta que se impõe: a quem apelarmos para que o pior não aconteça? Logicamente que surja alguém, isoladamente, e melhor ainda, que um grupo de apaziguadores imbuídos com o firme propósito de detê-las venha surgir. Bem entendido, de apaziguadores vestidos de bombeiros e não de incendiários, ou seja, que não tomem partido por nenhum dos lados. Nem pró e nem contra o presidente Jair Bolsonaro.  

Alguém poderia dizer que o nosso país encontra-se desprovido de líderes capazes de mediar tantos conflitos. A estes respondo: são em períodos assemelhados ao que ora estamos enfrentando que tais lideranças acabam surgindo. Para tanto lembramos as funções exercidas por Winston Churchill e Franklin Roosevelt, no curso da 2ª guerra mundial. Nenhum deles imaginaria que iram se transformar nos dois maiores estadistas do século passado.  

Não votei no presidente Jair Bolsonaro e considero o seu governo bastante precário. Entretanto, devo reconhecer tanto a legalidade quanto a legitimidade de sua presença na presidência da nossa República. De mais a mais, que ele fora eleito para cumprir um mandato de quatro anos. Culpa de quem? Do nosso regime presidencialista, diga-se de passagem, justamente o regime que já foi varrido das melhores democracias do mundo e que, lamentavelmente, continua persistindo no nosso pobre, politicamente falando-se, continente latino-americano.

Aos que fala no impeachment do presidente Jair Bolsonaro devo lembrá-los que, ao invés de remédio o referido instrumento poderá se transformar num veneno, este por sua vez, com consequências imprevisíveis. Se vivêssemos sob a égide do regime parlamentarista, aí sim, para afastá-lo do poder bastaria que o nosso parlamento lhes aplicasse um voto de desconfiança para pô-lo no olho da rua.  

Por estas e outras, urge que os bombeiros entrem em campo para evitar que o pior aconteça, até porque, os próximos anos, ou mais precisamente, o pós coronavirus, será um período bastante desafiador e bastante longo, notadamente, para o nosso país.

 Decerto uma coisa: enquanto as nossas crises forem se retroalimentando, caminharemos rumo ao caos. Daí a urgente necessidade de se por ordem na desordem que tomou conta do nosso país.     

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