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Quanta antecipação!

Uma eleição é feita para corrigir o erro da eleição anterior, mesmo que o agrave. Carlos Drummond de Andrade. As eleições que determinarão a escolha do sucessor do presidente Jair Bolsonaro, segundo determina o nosso calendário eleitoral, só acontecerão em 2022. Ainda assim, a disputa já começou. 

Prova disto, quatro potenciais presidenciáveis já estão em campanha. A se destacar: Jair Bolsonaro, João Dória, Ciro Gomes e o candidato que o ex-presidente Lula indicará, caso ele próprio mantenha-se inelegível.

Quanto à hipotética candidatura Sérgio Moro o site The Intercept já se encarregou de lançá- la na lixeira, e a de Luciano Huck, convenhamos, não terá o menor chance de prosperar. 

As eleições de 2018 em razão de uma onda anti-petista e pela excessiva quantidade de presidenciáveis que se diziam representantes do nosso centro político fez com que a disputa em segundo turno acabasse se dando entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, ideologicamente falando-se, entre a extrema direita e a extrema esquerda, portanto entre duas ante-candidaturas. Em síntese: o eleitor votava num com o propósito de vetar o outro. 

Em 1989, após um longo período, quase 40 anos, sem eleições diretas para presidente, Collor e Lula foram ungidos ao segundo turno, derrotando entre outros os seguintes candidatos: Mário Covas, Ulisses Guimarães, Leonel e Leonel Brizola. 

Resultado: experimentamos o primeiro impeachment de um presidente em toda a nossa história política. Se chegarmos em 2022 e a nossa sociedade continuar ainda mais dividida e, por certo, sendo a alimentada por ódios recíprocos, ao que tudo nos faz crer, as nossas crises só irão se aprofundar. 

É uma pena que a nossa democracia tenha chegado a este nível, até porque, só nas sociedades embrutecidas, ao invés de remédio suas eleições transformam-se em veneno. Votei no candidato Fernando Haddad por entender que o então candidato Jair Bolsonaro não estaria à altura de nos governar. Ainda assim, reconheço a legalidade e a legitimidade de sua assunção ao poder.

Daí minhas discordâncias com àqueles que pregam o seu impeachment. Se vivêssemos sob a égide do regime parlamentar de governo seria favorável ao seu bota-fora, e pelas mais variadas razões, entre elas, a sua má gestão, tanto política quanto administrativamente.

Como no regime presidencialista o eleito passa a deter um mandato com prazo fixo e determinado, para jogá-lo no olho da rua faz-se necessário que as crises se avolumem até que reste demonstrada a sua incapacidade para superá- las. Lembremos o que aconteceu com Fernando Collor e com Dilma Rousseff. 

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