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Lições de vida

Se da desgraça podemos tirar oportuníssimas lições, quais as lições que podemos tirar do coronavirus?

A primeira delas foi o inquestionável despreparo de todos os países do mundo, inclusive o nosso, para enfrentar a pandemia derivada do coronavirus, a despeito de já termos enfrentado uma série de pandemias.  A exemplificar: a peste bubônica, a varíola, a cólera, a gripe espanhola, a gripe suína e tantas outras.

De antemão, o vírus causador da Covid-19, jamais deveria ter sido chamado de novo coronavirus, pelo simples fato dele pertencer a uma família de vírus que já era conhecida, isto porque, pela primeira vez, ele surgiu no ano de 1938. Desta feita e a bem da verdade, não estamos a tratar de um novo vírus, e sim, de mais uma de suas mutações.

amentavelmente, no decorrer dos últimos 100 anos, ao invés de todos os países do mundo, sobretudo, as grandes potências mundiais, terem se preparado para enfrentar prováveis pandemias, ao invés disto, trilhões e mais trilhões de dólares foram gastos em armamento militares e na conquista do nosso espaço sideral. A propósito, uma fração dos gastos já realizados nos arsenais de armas atômicas existente no mundo já seria o bastante para o enfrentamento de qualquer pandemia.  

Se na travessia da chamada guerra fria, por exemplo, se parte dos recursos torrados pelos EUA e a Rússia tivesse sidos investidos na prevenção de epidemias, e em especial, como enfrentá-las, certamente, o coronavirus jamais teriam se instalado em seus respectivos países, pior ainda, pondo-os na incômoda condição de principais epicentros mundiais.  

Nada mais humilhante para o próprio EUA, considerada a maior potência mundial, inclusive em ciência e tecnologia, ao vê-se rendida à China, por não dispor dos equipamentos indispensáveis ao combate do coronavirus, isto porque, o seu parque industrial sequer dispunha dos materiais e equipamentos para dar-lhes enfrentamento.

Ainda sobre os EUA: enquanto o seu atual presidente, Donald Trump, o mais belicoso entre todos os seus presidentes, chegou a priorizar a construção de um muro na fronteira com o México, a fim de deter a migração, em particular, dos latino-americanos, pouco ou nada fez, contra o coronavirus, a não ser, a compará-lo a uma gripe.

Por estas e outras, pós coronavirus, esperamos que os países do chamado primeiro mundo tenha aprendido a seguinte lição: venha de onde vier, uma pandemia não respeita fronteiras, menos ainda, seus arsenais militares, até porque, só e somente, priorizando-se a ciência e seguindo as suas recomendações, poderemos combater o coronavirus e as demais epidemias que muito provavelmente ocorrerão.
Que as lições deixadas pelo coronavirus jamais sejam esquecidas.



 

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