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Discriminação

No Brasil, a discriminação social é pior que a racial.

O pobre e o preto no Brasil sempre foram discriminados, e se o  individuo for ao mesmo tempo, preto e pobre, a discriminação dá-se em dose dupla, quando não, em dose tripla, isto porque, a educação pública que lhes é  oferecida por ser de baixíssima qualidade, e a dos brancos/ricos, comparável a dos países do chamado primeiro mundo, o resultado não poderia ser outro, a não ser, o que está aí. No nosso país, infelizmente, o preto/pobre e com baixa escolaridade não consegue ascender socialmente. Eis a questão!

Como produto de tamanha e irresponsável discriminação, basta que possamos afirmar, com base em informações oficiais, que entre os mais de 800.000 presos existentes no Brasil, quase à metade deles sequer foram julgados em primeira instância. Pior ainda: no instante em que são encarcerados, restam-lhes tão somente aderir a uma das diversas organizações criminosas existentes no nosso país. Isto mesmo: o Estado brasileiro sequer controla os presos que estão sob sua custódia. 

Nem na Síria, onde está acontecendo a mais cruenta das guerras existente no mundo, 60.000 pessoas são assassinatos a cada ano. E o mais grave, apenas 8% dos assassinos é identificado. Ainda assim, nossas cadeias encontram-se superlotadas de presos que poderiam viver em liberdade ou submetidos a determinadas restrições, enquanto 92% dos assassinos propriamente ditos vivem em plena liberdade.  

Enquanto os números e percentuais acima expressam a nossa triste realidade, em relação a nossa segurança pública e o combate a corrupção, os nossos três poderes decidiram pautar a prisão de um acusado após ser julgado em segunda instância, contrariando diversos dispositivos do artigo 5º da nossa constituição, justamente os que tratam dos direitos e deveres individuais e coletivos e, portanto, denominadas de cláusulas pétreas. . 

Se mais de 400.000 dos nossos presos encontram-se trancafiados em verdadeiras masmorras, sem sequer terem sido julgados em primeira instância, resta comprovado que os defensores da prisão após julgamento em segunda instância se movem por interesses políticos e não jurídicos. Sendo mais preciso: têm como objeto de desejo a pessoa do ex-presidente Lula. Foi o então Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, quem tornou público que o objeto de desejo da Operação Lava-Jato chamava-se Lula.

De mais a mais, predomina na nossa superpopulação carcerária, pobres e pretos, com idades entre 18 e 30 anos de idade. Nada mais ameaçador para as nossas futuras gerações. Não será à base de espetáculos midiáticos que a nossa segurança pública encontra solução. Definitivamente, não será.

O combate à corrupção, importantíssimo, diga-se de passagem, não pode se prestar como uma satisfação que deva ser dada aos milhões de brasileiros socialmente excluídos. Do contrário, o pior ainda estará por vir. 

 

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