O Rio Branco

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Apenas apelações

Por Artigo do Narciso

21 de Agosto de 2018 às 08:45:14

Em todos os ambiente que comparece o presidenciável Álvaro Dias tem feito da Lava-Jato o seu cavalo eleitoral. 

         Para além de uma obrigação de natureza política o combate a corrupção é um imperativo de ordem moral, particularmente, para os candidatados que estão disputando a presidência de nossa República. Daí a minha discordância com o discurso, a meu ver, meramente eleitoreiro e claramente oportunista do presidenciável Álvaro Dias. Reporto-me a sua promessa de transformar a Operação Lava-Jato uma instituição do  Estado brasileiro e a de nomear o juiz Sérgio Moro para comandar o nosso Ministério da Justiça.

         Eu, particularmente, nunca cri nos candidatos que fazem do combate a corrupção em fim em si mesmo, ou seja, como sua única e principal bandeira, até porque, de nenhum deles guardo boas recordações. Vejamos; 

.        Na campanha presidencial de 1960, por exemplo, o candidato Jânio Quadros chegou ao cúmulo de fazer de uma vassoura a mais destacada marca de sua campanha eleitoral. E no que deu? Em sete meses, ao invés de varrer a nossa corrupção, ele próprio foi varrido do poder. Nas eleições de 1989, a primeira após o regime militar, enquanto candidato à presidência da República Fernando Collor fez da caça aos marajás sua principal bandeira, a acabou dando no que deu, no seu impeachment. Destes e de outros muitos exemplos podemos concluir que existe um verdadeiro abismo entre moralidade e moralismo.

.        Em geral, àqueles que surfam nas ondas moralistas, nem sempre praticam a moralidade, e muito menos, a ética. A provar, a história está aí como testemunha, posto que, o moralismo costuma crescer na justa medida em que a moralidade decresce. Afinal de contas, nada existe de mais imoral que o moralismo persecutório e acusatório. Ainda acrescento: nas melhores democracias nem sempre o que é imoral é proibido, e nem sempre o que é proibido é imoral.

         Que o presidenciável Álvaro Dias, no afã de tirar proveitos eleitorais, continue insistindo que convidará o juiz Sérgio Moro para ocupar as elevadas funções de Ministro da Justiça, moralmente, jamais deveria ter feito, menos ainda, ter dado publicidade ao tal convite.

         Além das homenagens que insistentemente vem prestando à Operação Lava Jato e ao juiz Sérgio Mora, ainda por cima, o presidenciável Álvaro Dias, de forma grotescamente genérica, vem prometendo que vai refundar a nossa República. À propósito, lembremos: faz exatos 50 anos que ele é detentor de mandatos parlamentares, portanto, não justifica que somente agora, passados mais de meio século, ele tenha chegada a  conclusão que a República que está aí, virou algo descartável. 

         Em tempo: ao longo de sua longa carreira política o senador Álvaro Dias já pertenceu aos seguintes partidos: MDB, PST, PP, PSDB, PDT, PV e Podemos, este último, o partido que deu abrigo a sua candidatura à presidência da República.

.        Quanta incoerência ideológica e político-partidária! 

 

 

 

 



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