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Durou pouco

 Que seja eterno enquanto dure.

De namoradinha do Brasil, e por bastante tempo, a atriz Regina Duarte assim foi considerada, entretanto como sua eternidade caminhava para o fim, enquanto noveleira de primeira grandeza, resta-nos saber como será rotulada após ter assumido uma função para a qual não dispunha de nenhuma experiência, no caso, o cargo de secretária nacional de cultura do governo Jair Bolsonaro, isto porque, em razão de sua brevidade, algum rótulo lhes precisa ser conferido, afinal de contas, nunca uma eternidade foi tão breve e veio motivar tantas especulações. Uma sugestão: “a breve”.

Decerto uma coisa: a eternidade dos ocupantes em quaisquer dos cargos no governo Jair Bolsonaro depende do seu ocupante não ousar contrariá-lo, até porque, em isto acontecendo, cairá fora. De igual modo, se não cair na graça dos seus filhos, em particular, do Carluxo, o 02. A exemplificar, a demissão do então ministro-chefe da secretaria geral da Presidência da República, Gustavo Bebiano, alguém que havia exercido uma função fundamentalmente importante na eleição do presidente Jair Bolsonaro. Ainda assim, sua eternidade no cargo durou apenas 48 dias. Se vivo fosse estaria testemunhando que não fora o único.
Entre os “breves”, que ocuparam funções importantíssimas no governo Jair Bolsonaro, poderíamos citar: Ricardo Vélez Rodrigues, cuja presença a frente do Ministério da Educação não chegou aos 100 dias. Lamentavelmente, o seu substituto, Abraão Weintraub, na melhor das hipóteses, podemos comparar a uma troca do tipo, seis por meia dúzia, ou seja, inadequadas e ruins. Ainda assim, a despeito de suas recorrentes estultices, Abraão Weintraub se mantém no cargo já há bastante tempo.  

Contudo, em tempos de pandemia, nada poderia ser mais preocupante que o troca-troca no nosso Ministério da Saúde. Para tanto, basta que se diga que no espaço de 28 dias, a frente do referido ministério já podemos contabilizar três titulares: Luiz Henrique Mandetta, Nelson Taich e o atual, Eduardo Pazuello, este por sua vez, general de exército. Entretanto, segundo o próprio presidente Jair Bolsonaro, sua eternidade poderá ser bastante longa, isto porque, uma das causas das demissões de seus antecessores foi a não concordância com o uso da cloroquina para combater o coranavirus, e neste particular, do general-ministro, Eduardo Pazuello, ainda não fez nenhuma restrição.

Como estamos caminhando, e a passos largos, para nos tornarmos o epicentro mundial da Covid-19, em número de contaminados e, consequentemente, de mortes, não mais podemos admitir que o enfrentamento ao coronavirus continue sendo politizado, de um lado os prós, e de outro, os contras ao presidente Jair Bolsonaro, e sim, tomando-se como referência, só e somente só, a ciência.

 

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