O Rio Branco

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Chega de hipocrisia!

Por Artigo do Narciso

20 de Março de 2017 às 10:17:45

Nas nossas campanhas eleitorais, o caixa 2  vem e muito longe, diria até, de priscas eras

Quando PC-Farias prestou o seu primeiro depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), aquela que resultou no Impeachment do então presidente Fernando Collor, encontrava-me no mesmo recinto. Portanto, vi e ouvi as respostas que o próprio PC Farias deu às seguidas perguntas que lhes foram dirigidas.   

Ao ser perguntado qual tinha sido o seu comportamento enquanto tesoureiro da campanha do então candidato Fernando Collor, assim respondeu: “Fiz exatamente o que os tesoureiros de todas as nossas campanhas eleitorais sempre fizeram. Ato contínuo, de inquirido se fez inquisidor, e saiu perguntando aos congressistas presentes como os tesoureiros de suas campanhas haviam procedido. Lembro-me bem quando ele se dirigiu ao então senador Mário Covas, um dos candidatos derrotados pelo próprio Fernando Collor e perguntou: como foi que agiu o tesoureiro de sua campanha?”. Resultado: por alguns instantes, fez-se um silêncio só comparável aos dos cemitérios. Ninguém ousou respondê-lo.   

Recentemente, o diretor-presidente do conglomerado Odebrecht, Marcelo Odebrecht, em depoimento ao Ministro, Herman Benjamin, relator do processo que julgará uma denúncia feita pelo PSDB, ou mais precisamente, pelo senador Aécio Neves, segundo a qual, a chapa Dilma/Temer havia usado e abusado do poder político e econômico, via recursos de “caixa 2”, sem rodeios, ele respondeu: Todos os candidatos, de todos os partidos, beneficiaram-se de recursos que circularam pelo caixa 2 do nosso grupo. 

Em seguida, num depoimento ao juiz Sérgio Moro, Emílio Odebrecht, pai de Marcelo Odebrecht e filho de Norberto Odebrecht, este, fundador do grupo Odebrecht, assim se pronunciou: o “caixa 2” nas nossas campanhas eleitorais existe desde o tempo do meu pai.  Detalhe: seu pai, Norberto Odebrecht presidiu o grupo Odebrecht nos anos 40 do século passado, ao tempo da ditadura Vargas.

Que o “caixa 2” precisa ter fim, claro que precisa, afinal de contas, enquanto ele existir, só e somente só, os candidatos que conhecem os caminhas das pedras, ou seja, do dinheiro, terão acesso aos financiadores das nossa campanhas eleitorais.

Pelo exposto, resta provado e comprovado que o caixa 2  não tem nada de contemporâneo. Trata-se, portanto, do mais velho e eficiente instrumento utilizado em nossas campanhas eleitorais, embora seja um dos mais freqüentes e antidemocráticos.

Portanto, agem hipocritamente, àqueles que estão falando que é preciso separar o joio do trigo, ou seja, o caixa 2 do bem do caixa 2 do mal, até porque, quando um candidato dispõe de milhões de reais e entra numa disputa eleitoral com outro que não dispõe de um tostão para financiar a sua própria campanha, na melhor das hipótese, o candidato afortunado leva vantagem e torna a disputa inquestionavelmente antidemocrática.

            



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