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Infalível

Diz a implacável lei do retorno: muitas coisas nas nossas vidas não têm preço, mas todas cobram trocos.

A Operação Lava-Jato e suas principais estrelas, o ex-juiz e presentemente ministro da justiça Sérgio Moro e o ainda atual procurador da República, Dalton Dallagnol, não se aperceberam que a chamada lei do retorno um dia poderia alcançá-los, e em razão disto, tornaram-se alvos de pesadíssimas acusações, e em se confirmando os inapropriados diálogos mantidos entre ambos e com os demais integrantes da referida operação, segundo o site The Intercept, não tardarão a viver o que poderemos chamar de dias de cão. Nada mais decepcionante para quem, por mais de longos quatro anos, se viam e eram recebidos como heróis. Bem dizia Bertolt Brecht: infeliz a não nação que preciosa de heróis.

Empunhando à bandeira do combate à corrupção, certamente àquela que mais atrai o apoio popular, seja na nossa ou em qualquer outra sociedade, a referida dupla acabou transformando a Operação Lava-Jato num poder à parte, e a 13ª vara da justiça federal do Estado Paraná, na chamada República de Curitiba”. A provar que sim, nem mesmo as instâncias superiores do nosso poder judiciário, em particular, o nosso STF-Supremo Tribunal Federal, se insurgia contra suas flagrantes ilegalidades e ilicitudes.

A se destacar: ilegalmente, porquanto não existia ordem judicial para que assim pudesse proceder e, sobretudo, porque tal ordem, só e somente só, poderia ser dada por um dos ministros do nosso STF, ainda assim, o então Juiz Sérgio Moro grampeou uma ligação telefônica da então presidente Dilma Roussef, e logo a seguir, seu conteúdo veio compor um dos inúmeros espetáculos midiáticos que a TV-Globo, com exclusividade, os exibiam. 

Para a Operação Lava Jato, as nossas leis, e em particular, o nosso código penal, só prevalecia quando interessava a sua fúria punitiva. Pouco importava que os direitos de um determinado acusado estivessem claramente expressos numa das cláusulas pétreas da nossa constituição. Bastaria que um réu confesso, em busca de minorar suas penas, via o instituto da delação premiada, acusasse qualquer pessoa, independente de provas ou não, para que a dita cuja  fosse exposta a execração pública.

Eis que vem o site The Intercept, diria até, como um dos caprichos do destino e submete à dupla Sérgio Moro/Deltan Dellagnol numa situação bastante delicada, até porque, em se confirmando os diálogos que já trazidos à público pelo referido site, a Operação Lava-jato  será julgada como uma das maiores trapalhadas já praticadas em nome da nossa justiça. 

Isto tem nome: a volta do cipó de aroeira.

 

 

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