O Rio Branco

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Causa e efeito

Por Artigo do Narciso

19 de Junho de 2017 às 10:08:20

Se a nossa corrupção é sistêmica, se o sistema não for dizimada a corrupção ressurgirá, e mais sofisticado.

Ao meu sentir, de tudo que o Juiz Sérgio Moro já disse e fez enquanto comandante em chefe da Operação Lava-jato, foi ter tornado público e ter dado ampla divulgação ao que muitos já duvidavam, e até sabiam: a nossa corrupção é sistêmica e vem de priscas eras. Jamais se atentou para a preciosidade a seguir, da rica lavra de Miguel de Cervantes: elimine a causa e o efeito cessa.

A propósito, o primeiro registro de corrupção, logicamente, não comparável as praticadas pelo criminoso Wesley Batista, chefão da organização J&F, vamos encontrar na carta que Pero Vaz de Caminha enviou ou rei de Portugal ao dar notícias sobre o descobrimento do nosso país. Afinal de contas, dos tempos das caravelas aos dos jatinhos e dos iates, como seria de se esperar, o corrupção só tem crescido e se agigantado.  

Como o nosso sistema vem sendo mantido, e não raro piorado, no nosso país, o combate a corrupção só se dá na esteira de um grande escândalo. Foi assim com os escândalos a seguir: anões do orçamento, sanguessugas, mensalão, entre outros. E será assim, e ninguém duvide, quando o petrolão se tornar coisa do passado. A não ser que o nosso sistema seja literalmente destroçado. 

Lamentavelmente, estamos a poucos meses de ser inspirado o prazo para a definição das regras que vigorarão nas eleições de 2018, e ao que tudo está nos levando a crer as atuais regras serão mantidas. Por certo, se mantidas, novos escândalos voltarão a acontecer. Portanto, será mais uma vã ilusão. E quem viver verá.

Quem poderia imaginar que após o impeachment da presidente Dilma Rousseff, condenada por ter dado algumas pedaladas fiscais, diga-se de passagem, a prática mais corriqueira dos todos os nossos governantes, tantos os do passado quanto os do presente, iria conduzir o nosso país a situação que ora nos encontramos?

Nem o “fora Dilma” e tampouco o “fora Temer” vai resolver as nossas crises, menos ainda, deter a nossa corrupção, apenas tem retratado o quanto somos politicamente pobres e incompetentes, afinal de contas, como dizia Rui Barbosa, o impeachment é um tigre de papel, ou seja, ao invés de deter as nossas crises e restabelecer a nossa institucionalidade, simplesmente a agrava. 

É triste se dizer, porém é a mais pura das verdades: os nossos historiadores haverão de registrar que houve uma época da nossa história, bastante extensa, que seus principais protagonistas foram os traidores, ou mais precisamente, os delatores. 

Este estado de espírito precisa ser mudado, até porque, num pais chamado Brasil, com 14.000.000 de desempregados e com 10.000.000  de sub-empregados, não há mais tempo a ser perder. 
Quem tiver esperando que das eleições de 2018 vai surgir uma salvador da pátria, tome nota: estará redondamente enganado.  



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