O Rio Branco

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Corretíssimo

Por Artigo do Narciso

18 de Abril de 2017 às 09:49:53

A crise política vai se aprofundar, a partir de agora, com risco de paralisia institucional. Senador Jorge Viana.

A luta contra a corrupção é fundamentalmente importante, necessária, indispensável e meritória. Ainda assim, para combatê-la, determinados limites precisam ser respeitados e determinadas providências precisam ser tomadas, até porque, se não se deve matar os carrapatos que sugam o sangue de uma vaca matando-se a própria vaca, não se deve combater a corrupção praticada pelos nossos políticos criminalizando-se a própria política. Só e somente só, aqueles que imaginam que a solução das nossas crises se dará por vias não democráticas imaginam e agem assim.      

Nada contra aos que lutam contra a corrupção, em particular, a operosa e importante Operação Lava-Jato, e sim, a forma seletiva, sensacionalista, populista e oportunística como a o tema sem sendo tratado, particularmente, pela nossa grande imprensa, e não raro, por determinados políticos. A exemplificar: ao acusar a então candidato Dilma Rousseff, com quem havia disputado a mais recente disputa presidencial, jamais o senador Aécio Neves imaginou que, feito um cipó de arueira, a sua acusação se voltaria contra si. Vamos em frente;

Quando o deputado federal Eduardo Cunha se elegeu presidente da Câmara dos Deputados já havia cometido todos os crimes que ora lhes são imputados. Diria mais: foi com a dinheirama advinda da corrupção que ele conseguiu chegar ao terceiro posto mais importante da nossa República. Por que não antes, e somente muito tardiamente, o dito cujo foi levado à execração pública, inclusive, a prisão?

Por que a própria revista Veja, na edição de 25/03/2015, portanto, nos dias que se seguiram a sua eleição à presidência da Câmara dos Deputados, saudou-o com a seguinte manchete: “a súbita força de Eduardo Cunha, o político mais poderoso do Brasil”, ainda por cima, com sua foto estampada em sua capa?

Bastaria o que já foi trazido à público para revelar que o então governador Sérgio Cabral, nos oitos anos que governou o Estado do Rio de Janeiro, fez da corrupção a sua marca, entretanto enquanto esteve no poder nunca fora importunado. Por que antes, e somente agora, portanto, muito tardiamente, o dito cujo foi levado à execração pública, inclusive, à prisão?

Enquanto o combate a nossa corrupção for feito, da forma como sempre foi feito, combatendo seus efeitos, e não as suas causas, por mais espalhafato que seja feito, o sucesso será temporal.

Pensando bem, as causas do mensalão foram às mesmas que propiciaram o petrolão, até porque, tem sido em nome da tal governabilidade que o esquartejamento das nossas máquinas públicas tem se imposto, e a partir de então, a corrupção deita e rola.

Com um Congresso Nacional constituído por representantes de 28 partidos políticos, a exemplo do nosso, só esquartejando as nossas máquinas públicas os nossos governantes conseguem compor as maiorias parlamentares que necessitam, sobretudo, àquele que estiver no exercício da presidência de nossa República.

A frase que encabeçou este artigo, ao meu sentir, estaria melhor composta se o seu autor assim tivesse se expressado: se a crise política se aprofundar, além de uma paralisia institucional, corremos o risco de nos depararmos com algo ainda pior, ou seja, com um retrocesso institucional.

 



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