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Senhores eleitores

Na próxima e nas demais eleições que se seguirem, em  relação aos falsos moralistas todo cuidado é pouco.   

Quando um candidato em busca de um mandato eletivo passa a explorar a sua honestidade como se fosse uma qualidade e não uma obrigação, desconfie dele, até porque, não existe nada mais imoral que a moralidade pregada pelos falsos moralistas.

Lamentavelmente, nas nossas últimas eleições o tema corrupção, não raramente, tem predominado, restando a nós, enquanto eleitores assistirmos aos seus sucessivos troca-trocas de acusações. Tipo assim: eu sou honesto e você é ladrão e o outro responde: honesto sou eu e o ladrão é você. Disto tem decorrido o descrédito da nossa população com a política e a fragilidade da nossa própria democracia.

Se eleição fosse um campeonato, através do qual, o candidato vencedor fosse àquele que parecesse menos desonesto, para os falsos moralistas seria o ideal, afinal de contas, eles são doutrinados e se alimentam da realidade que melhor lhes convier.

Jânio Quadros, entre todos os nossos candidatos o que mais soube tirar proveito eleitoral combatendo a corrupção chegou a eleger-se presidente da República utilizando uma vassoura como símbolo de sua campanha e do seu sugestivo jingle: “varre, varre, varre, varre vassourinha! Varre, varre a bandalheira! Que o povo já está cansado. De sofrer dessa maneira.

 Resultado: Jânio Quadro se elegeu sucedendo o então presidente Juscelino Kuybitschek, um dos mais, se não o mais honrado e competente presidente de nossa história republicana. Ainda assim, o discurso falso moralista do candidato Jânio Quadros acabou prevalecendo.

Outro exemplo: não fosse a promessa de acabar com os marajás o então candidato Fernando Collor de Melo jamais teria sido eleito presidente da República. Coincidência ou não, Jânio e Collor sequer conseguiram concluir os seus mandatos.

As eleições presidenciais próximas passadas, por irresponsabilidade dos nossos políticos, resultou numa disputa em segundo turno entre dois anti-candidatos, isto porque, a maioria que votou no candidato Jair Bolsonoro assim procedeu para não votar no petista Fernando Haddad, e vice-versa. Numa democracia que se preza isto jamais teria acontecido. Até quando continuaremos contrariamos os melhores ensinamentos da política e perdendo as oportunidades que a democracia nos oferece?

 Como este ano teremos eleições para escolher os nossos 5.560 futuros prefeitos e vereadores, é chegada a hora, ainda que muito tardiamente de nós, enquanto eleitores, assumirmos as nossas responsabilidades, até porque, todos os eleitos serão escolhidos por nós.

 

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