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Lula livre

A prisão do ex-presidente Lula poderá transformar a Operação Lava-Jato num péssimo exemplo. 

         Nunca fui petista e nunca serei. A propósito, nas cinco vezes que ele foi candidato à presidência da República nunca votei no Lula. Entretanto, e por dever de justiça, sempre tive sérias e procedentes dúvidas sobre a condenação e a conseqüente prisão do ex-presidente Lula, e na medida em que fui tomando conhecimento das revelações tornadas públicas pelo site The Intercept, as minhas dúvidas foram se dissipando e levando-me a crer que o objeto de desejo da Operação Lava-Jato era, de fato, o ex-presidente Lula. Aí vem o ex-procurador Rodrigo Janot, à época, a mais expressiva autoridade da referida operação e confirma que sim. 

         Portanto, restará ao então juiz e hoje Ministro da Justiça Sérgio Moro e ao ainda procurador da República, Deltan Dallagnol, saírem em defesa, não apenas da Operação Lava-Jato, sim e também, de si próprios. Do contrário, não faltarão àqueles que passarão a julgá-los como agentes do Estado brasileiro que, a pretexto de combater à corrupção, cometeram toda sorte de crimes. Este é o preço que a lei do retorno está a lhes cobrar.

         Um juiz parcial corre o risco de se transformar num meritíssimo sem méritos, isto porque, entre as várias características que um juiz deve possuir, sua imparcialidade deve se destacar das demais. E é por ter agido com parcialidade que a Operação Lava-Jato, e em particular, o então juiz Sérgio Moro e o ainda procurador Deltan Dellagnol estão sendo acusados.

         Se às revelações tornadas públicas pelo site The Intercept já não bastasse para revelar a parcialidade da referida operação, aí vem o ex-Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, sem que ninguém o questionasse e declara que objeto de desejo da Operação Lava-Jato era  Lula. Pior ainda: segundo ele, toda vez o procurador Deltan Dellanol lhes solicitava uma audiência, sua reação era a seguinte: “lá vem problema”, isto porque, de antemão já sabia que a pauta era sempre a mesma; Lula. . 

         Numa das audiências concedidas, e na condição chefe da força tarefa da Operação Lava-Jato, o procurador Deltan Dellagnol veio acompanhado dos seguintes procuradores - Januário Paludo, Roberson Pozzobon, Antônio Carlos Welter e Júlio Noronha e lhes propusera: “precisamos que você inverta a ordem das denúncias e coloque o do PT primeiro”.

         Não sei se o ex-presidente Lula é inocente ou culpado das denúncias que lhes são imputadas, menos ainda, que ele chefiava uma organização criminosa, mas a ser verdade o que o ex-procurador geral da República, Rogrigo Janot, revelou em seu livro “Nada menos que tudo”, aí sim, até prova em contrário, o procurador Deltan Dellagnol, chefiava uma organização criminosa.

         Por que o procurador Deltan Dellanol não vem à publico e categoricamente desmente as informações do The Intercept e as contidas no livro do seu ex-chefe, Rodrigo Janot?  

         Decerto uma coisa: o seu silêncio jamais o isentará das gravíssimas acusações que lhes são imputadas, e de resto, ao tantos quantos que compuseram a Operação Lava-Jato. .

 

 

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