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De mala e cuia

  Ao chegar ao PSL, Jair Bolsonaro completou sua oitava mudança partidária, e não satisfeito, caminha para a nona.

Qualquer democracia cujos partidos políticos se transformam apenas em siglas, de sorte a possibilitar candidaturas e fazer negociatas, com certeza, encontra-se muito mal. Daí a pergunta que não pode calar: em qual país isto acontece? Claro, no nosso. Daí a nossa pobreza democrática. 

Eu, particularmente, na sua origem, fui um dos entusiastas da Operação Lava-Jato, afinal de contas, precisava que fosse dado um basta na nossa corrupção, coincidentemente, a bandeira empunhada pela referida operação. Mais entusiasmado fiquei, lembro-me como se fosse hoje, quando o então juiz Sérgio Moro bradou: “a nossa corrupção é sistêmica”. Naquele instante, falando com os meus botões, lembrei-me de uma das mais belas frases de Miguel de Cervantes, qual seja: “elimine a causa e o efeito cessa”, e assim reagi: tai o cara que vai golpear a nossa corrupção, afinal de contas, seu diagnóstico era perfeito. 

Lamentavelmente, ao invés de combater as causas da nossa corrupção, já diagnosticada pelo próprio juiz Sérgio Moro como sistêmica, a Operação Lava-Jato descuidou-se das suas causas e se encantou com os espetáculos midiáticos que as prisões dos corruptos iam lhes proporcionando. A partir de então, minhas decepções com a Operação Lava-Jato começaram a surgir, e a cada espetáculo midiático, mais e mais as minhas decepções cresciam.  

Aí vem o ministro Gilmar Mendes, do STF, e diz que na Operação Lava-Jato tinha mais publicitários que jurídicos, e ao ler, cuidadosamente, o capitulo 15 do livro “Nada Menos Que Tudo”, de autoria ex-Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, por minha conta e risco, cheguei à seguinte conclusão: os propósitos da Operação Lava-Jato eram mais políticos que jurídicos. Sobre seu viés político, o site The Intercept já nos havia abundantemente informado. 
Voltemos ao assunto que me motivou a escrever estas mal traçadas linhas dada à importância que o assunto requer. Em sendo o troca-troca partidário, sabidamente, se não a única, mas um das principais causadoras da nossa corrupção política, caso o presidente Jair Bolsonaro venha largar o PSL, conforme o próprio vem anunciando, da nossa apodrecida estrutura partidária, nada mais restará, a não ser, a urgente necessidade de lançá-la na lixeira da nossa história. 

Com o nosso Congresso Nacional composto por representantes de 30 partidos políticos, seja que for o presidente da nossa Republica, e a que partido pertencer, ele só conseguirá governar o nosso país a base de negociatas, ou mais precisamente, da corrupção. Lamentavelmente, o diagnóstico feito pelo então juiz Sérgio Moro deu lugar a uma terapêutica que pouco ou nada fez para combater as causas da nossa corrupção. 

Se não cuidou das causas da nossa corrupção quando era tido e havido como herói, não será agora e nem doravante, após ter sido contaminado com o vírus da politicalha, que o dito cujo, disporá de força moral e independência política para combatê-la.  

Só para realçar: de mala e cuia o presidente Jair Bolsonaro está ameaçando sua nona mudança partidária. 

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