Colunistas

Chega de hipocrisia

 Parem de falar em nome do povo.

Muitos se arvoram em falar em nome do povo, mas raros são àqueles que poderiam fazer. Digo mais: nem mesmo os detentores de mandatos eletivos poderão dizer que quando falam, assim o fazem em nome do povo. Sequer podem dizer que fala em nome daqueles que dos eleitores que os elegeram, até porque, no nosso país, os arrependimentos tardios dos nossos eleitores têm sido cada vez mais freqüentes.

Nada contra a legalidade e a legitimidade daqueles que chegam aos mais elevados postos da nossa atividade política tendo obedecido às regras estabelecidas. Porém discordo daqueles que se arvorem a falar em nome do povo, isto porque, sempre haverá uma parcela do próprio povo que não lhes conferiu e nem irá conferir tamanho direito, particularmente, num país politicamente polarizado como vem ser o nosso.    

Tomemos como exemplo os resultados da disputa presidencial, próxima passada, a disputa em segundo entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Como os números não mentem, vamos a eles: Jair Bolsonaro obteve 57.797.847 votos, Fernando Haddad, 47.040.906 votos e 31.371.704 dos nossos eleitores não votaram em nenhum dos dois. Portanto, somando-se os eleitores que votaram no candidato Fernando Haddad aos dos eleitores que não votaram em nenhum dos dois candidatos, chegamos ao seguinte resultado: 47.040.906 + 31.371.704 = 78.412.610. Portanto, a quantidade de eleitores que não votaram no presidente Jair Bolsonaro foi bastante superior aos votos que o próprio obtivera.

Volto a repetir: isto não retira a legalidade e tampouco a legitimidade da eleição do presidente Jair Bolsonaro, embora tenha revelado, por mais uma vez, a impropriedade do nosso inadequado regime presidencialista, e em particular, o avacalhamento do nosso sistema político-partidário, afinal de contas, foi o referido regime que lhes conferiu um mandato de quatro anos. Portanto, independente do seu desempenho, a não ser que se invente um crime de responsabilidade, a exemplo do que aconteceu com o ex-presidente Fernando Collor e Dilma Rousseff, o presidente Jair Bolsonaro poderá ser afastado do poder, via impeachment, do qual tenho nojo.   

Não votei no presidente Jair Bolsonaro e faço parte dos milhões de brasileiros que reprovam o seu governo, ainda assim, sou contra ao seu impeachment, isto porque, enquanto o regime presidencialista se mantiver, continuaremos expostos a entregar o comando político-administrativo do nosso país, e por um prazo fixo e determinado, aos salvadores da pátria.

O presidente Jair Bolsonaro não é causa, e sim, efeito de um regime que já se revelou desastroso para o nosso país. Por derradeiro: se vivêssemos sob a égide do regime parlamentares, para a minha satisfação, o bota-fora do presidente Jair Bolsonaro já teria ocorrido.

 

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