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Discriminação

No Brasil, a discriminação social é pior que a racial.

Os pobres e os pretos no Brasil sempre foram discriminados, e sendo o individuo, ao mesmo tempo preto e pobre, a discriminação acontece em dose dupla, diria até, em dose tripla. Isto porque, a educação pública que lhes é oferecida, por ser de baixíssima qualidade e a dos brancos ricos, comparável a dos países do chamado primeiro mundo, o resultado não poderia ser outro, a não ser, o que está aí. Salvo raríssimas exceções, os pobres e os pretos do nosso país são praticamente impedidos de ascenderem socialmente.

Como resultado de tamanha e irresponsável discriminação, basta que se diga que entre os mais de 800.000 presos existentes no Brasil, quase à metade deles sequer chegaram a ser julgados em primeira instância, e não por acaso, em sua grande maioria, constituída de pobres e pretos. Pior ainda: no instante em que são encarcerados, restam-lhes tão somente optar por qual das organizações criminosas irá participar, e a partir de então, se especializarem no mundo da criminalidade. 

Nem na Síria, onde está acontecendo a mais sangüenta guerra existente no mundo, 60.000 pessoas são assassinatos a cada ano. E o mais grave, apenas 8% dos assassinatos ocorridos em nosso país tem os seus autores identificados. Resultado: nossas cadeias encontram-se superlotadas de presos que poderiam viver em liberdade, ou em última análise, submetidos a algumas restrições, enquanto 92% dos assassinos propriamente ditos, os que cometerem crimes contra a vida, vivem em franca liberdade.    

Não somos o país da impunidade, e sim, o país que prende muito e mal. A propósito, a nossa população carcerária já é a terceira maior do mundo, ficando atrás apenas da dos EUA e a da Rússia, e se nosso o atual código de processo penal for mantido, da forma como se encontra, no ano 2030, teremos 1.500.000 brasileiros encarcerados. 

Nos últimos anos temos assistido em diversas unidades da nossa federação, partindo do interior de nossas penitenciárias, verdadeiras carnificinas humanas. Tais carnificinas só têm chamado a atenção dos nossos poderes, e em particular, da nossa grande mídia, quando delas se apropriam para patrocinar os seus espetáculos de horrores.

Pior ainda: o Brasil dispõe de apenas 400.000 vagas para encarcerar os seus mais de 800.000 presos. Nem nos tempos da nossa não saudosa escravidão suas senzalas eram tão desumanas como são as nossas atuais penitenciárias.

Entre as muitas crises que estão a nossa espera, nenhuma delas se prenuncia com maior gravidade que a do nosso sistema carcerário. Disto o nosso Ministro da Justiça, Sérgio Moro, tenha a mais absoluta certeza. E as providências são para já, ainda que muito tardiamente.

 

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