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Publicidade opressiva

A liberdade da imprensa é um direito, mas não absoluto,  já que outros direitos são igualmente assegurados.

A despeito do artigo 5º § 220 da nossa constituição proibir, direta ou  indiretamente, que os nossos meios de comunicação sejam monopolizados, ainda assim, e sempre num crescendo, a nossa opinião pública continua sendo alimentada, predominantemente, por informações adrede selecionadas, e não raramente manipuladas, por um monopólio. Nas democracias que se prezam isto jamais acontece. Só e somente só, nos regimes autoritários, e sob controle dos ditadores de plantão, isto é possível.        

Cá entre nós, em razão da nossa frágil democracia e a conseqüente omissão, ou quem sabe até, da irresponsabilidade dos nossos podres constituídos, há mais de meio século, o Grupo Globo monopoliza os nossos meios de comunicação, inclusive àqueles que derivados de concessões públicas: TV-Globo, GloboNews, SportTV, Globoplay, portal G1, Rádio Globo, etc. Na imprensa escrita o referido grupo ainda é detentora dos jornais O Globo, Valor Econômico e da revista Época.

Quando morreu, em 2003, aos 98 anos de idade, segundo a revista Forbes/Exame, Roberto Marinho era um dos dez homens mais ricos do Brasil e, politicamente, um dos mais poderosos. Quanta coincidência!    

Se o artigo 5º da nossa constituição garante a liberdade da imprensa é o mesmo que garante a honra das pessoas, e aos acusados, nos processos judiciais ou administrativos, o amplo direito de defesa, suas alíneas IX, X e LV deveriam ser igualmente obedecidos. Bem disse certa vez, Joseph Pulitzer, o mais consagrado jornalista do mundo: “Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta, formará um público tão vil como ela mesma”. A refletir!      

Enquanto cláusulas pétreas da nossa constituição e se os dispositivos acima referidos encontram-se no mesmo nível da nossa hierarquia legal, enquanto monopolista dos nossos meios de comunicação, jamais o Grupo Globo poderia, a seu jeito e modo, fazer a seleção dos alvos a serem protegidos, menos ainda, das reputações a serem assassinadas. 

 Jornalisticamente, estamos testemunhando o que de pior poderíamos esperar do Grupo Globo, pior até que o apoio que dera, por longos 20 anos, a revolução de 64, isto porque, em defesa da Operação Lava-Jato, e em particular, do ex-juiz e hoje ministro Sérgio Moro, as gravíssimas acusações já tornadas públicas pelo site The Intercept e o bombástico livro do ex-procurador Rodrigo Janot, seus veículos simplesmente os ignora.   

Como Sérgio Moro e a Globo se amam mutuamente e o presidente Jair Bolsonaro e a Globo se odeiam mutuamente, por certo, quando o presidente Jair Bolsonaro se despedir do poder, por certo, o que o Grupo Globo irá fazer com ele, até o diabo vai ter pena.

Por enquanto, o hoje ministro da justiça, Sérgio Moro, feito um equilibrista, mantém condicionado a atender a dois senhores. Sabe-se lá como e até quando. O tempo dirá!

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