O Rio Branco

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Liberdade da imprensa

Por Artigo do Narciso

13 de Março de 2018 às 09:29:21

Se perco o controle da imprensa não me aguentarei no poder nem por mais três meses.                             

         A sua época Napoleão Bonaparte proferiu a expressão que encabeça este artigo. Detalhe a se considerar: no seu tempo não existia televisão, internet, computação gráfica e tantos outros instrumentos que acabaram transformando a imprensa num super poder, notadamente, nos países que não tiveram o cuidado de regulamentar o seu funcionamento.  Ora, se a própria virtude precisa de limites, segundo Montesquieu, não seria a imprensa, que nem sempre virtuosa é, a agir de forma absolutamente sem limites, como se a liberdade da imprensa pudesse ser ilimitada.     

         Neste particular, o Brasil sempre foi um dos países mais descuidado do mundo, e mais descuidado se tornou, após a nossa redemocratização, até porque, de lá para cá, toda vez que se cogitou regulamentar o funcionamento da nossa imprensa, em causa própria, os donos dos nossos veículos, logicamente, os da nossa chamada grande imprensa, ocupavam os seus mais preciosos espaços, e através de seus prepostos, de forma orquestrada, traziam na ponta da língua os seguintes e fulminantes argumentos: 01 - “estão querendo censurar a nossa imprensa”. 02 – “sem imprensa livre não existe democracia”.  

         Se sem imprensa livre não há democracia, menos ainda haverá quando a sua liberdade é levada ao paroxismo e motivada por seus próprios interesses. Sobre tal imprensa, Joseph Pulitzer, o mais homenageado jornalista da imprensa mundial assim se reportava: “com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta, formará um público tão vil como ela mesma”.  Neste particular, o ex-presidente dos EUA, Adlai Stevenson, assim a definiu: “a imprensa separa o joio do trigo. E publica o joio”.

         Repórter do jornal norte-americano, The New York Times, veja o que disse Maurício Lima, o primeiro jornalista brasileiro a receber o Pulitzer, o mais importante prêmio do jornalismo mundial: “gostaria de expressar meu apoio à liberdade da imprensa e a democracia, que é exatamente o que não está acontecendo no Brasil.

         Entre os anos 1930 e 1960, Assis Chateaubriand se tornou um dos homens mais poderosos do nosso país, por vezes, o mais poderoso, afinal de contas, os Diários Associados, seu conglomerado jornalístico, o tornara   o senhor das comunicações do nosso país. Depois dele, veio Roberto Marinho, este por sua vez, detentor de um arsenal de veículos de comunicação e, sobremaneira, favorecido com o advento da televisão, por meio século, e até morrer, acumulou mais poderes quanto àqueles conquistados pelo próprio Chateaubriand. E de sua autoria a expressão a seguir: “a Globo é o que é mais pelo que não deu do que pelo que deu. Que coisa feia, afinal de contas, pior que censura a imprensa vem a auto-censura. 

                   Quando falamos da necessidade de se regulamentar a liberdade de imprensa, simplesmente estamos a dizer que não existe direito absoluto, nem mesmo para a imprensa, até porque, quem a utiliza sem responsabilidade, definitivamente, não a merece.

         Por último: nas melhores democracias do mundo, entre elas, a dos EUA, a da Inglaterra e da França, os seus veículos de comunicação funcionam segundo regulamentos. Nos EUA, por exemplo, uma mesma empresa não pode, numa mesma cidade, deter a propriedade cruzada de vários veículos de comunicação, tampouco, seu monopólio.

         No nosso país, infelizmente, se não deu na programação da Rede Globo, por mais que tenha acontecido, para os seus 100.000.000 de uns é como se nada houvesse acontecido.   

 



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