Colunistas

A lei do retorno

Quão bom seria se todos os falsos moralistas  acabassem caindo em suas próprias armadilhas.

A juíza Selma Arruda era a titular da 7ª Vara Criminal da Justiça do Estado de Mato Grosso e em razão do linchamento moral a que sua classe política encontrava-se submersa, largou à toga e candidatou-se a senadora.  Espertamente, se auto-proclamou como a “Moro de Saias” e  passou a dizer que seria a única candidata em condições de por ordem na desordem que havia tomado da política do seu Estado.

A dita cuja já havia adquirido substancial notoriedade por ter sentenciado diversos políticos envolvidos em corrupção, e mais ainda, quando passou a surfar nas ondas do lavajatismo. Dali para frente a sua candidatura foi ampliando a sua musculatura eleitoral e acabou sendo a candidata mais votada e, portanto, eleita.   

Onde quer fosse, a dita cuja não apenas se dizia como passou a ser vista como uma candidata exemplarmente honesta, e ainda mais, no intuito de realçar a sua honestidade, atribuiu a si mesma o sugestivo apelido de “Moro de Saias”. Moral da história: ela veio confirmar que todo falso moralista se alimenta do relativismo moral que melhor lhes convier.     

Acontece que, como a lei do retorno, por vezes, tem tirado as máscaras dos falsos moralistas, antes mesmo de sua diplomação a verdade veio à tona e restou provado que a dita cuja havia custeado a sua campanha eleitoral à base do “caixa 2” e abuso do poder econômico, dois crimes previstos na nossa própria legislação.

As provas dos seus crimes foram de tal ordem que o Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Mato Grosso cassou o seu mandato pelo placar de 7x0. Por incrível que possa parecer, ela não conseguiu sequer um único voto em sua defesa, mesmo sendo julgada por um colegiado majoritariamente constituído por seus próprios ex-colegas.   

Condenada em primeira instância e ao recorrer ao TSE-Tribunal Superior Eleitoral a cassação do seu mandato foi mantido pelo placar de 6x1. Registre-se que o voto em seu favor só foi obtido graças ao empenho do ex-juiz e hoje Ministro da Justiça, Sérgio Moro, afinal de contas, em socorro a sua homônima de saias, ele fez o possível, o impossível e até mesmo o moralmente inaceitável no sentido de salvar o mandato de uma senadora que havia sido eleita espelhada no moralismo lavajatista. 

Como o falso moralismo é a arte, ou mais precisamente, a artimanha de fingir ser o que não se é, e ao mesmo tempo esconder o que de fato se é, o ex-juiz e hoje ministro da justiça, Sérgio Moro, precisa para vir à público para explicar as razões que o levou a permitir que a então candidata Selma Arruda, em sua campanha eleitoral, propagandeasse que a sua honestidade se confundia com os propósitos da Operação Lava-Jato.

 

Artigos Publicados

Novo coronavírus

Responsabilidade fiscal

Caiu a ficha

Mudar é preciso

Guerra é guerra