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Incômoda adaptação

Enquanto juiz da Operação Lava-Jato Sérgio Moro fazia  acontecer e hoje vive esperando pelo que acontecerá.

.        Quando da formação de sua equipe ministerial, dois nomes se sobressaiam dos demais: Paulo Guedes e Sérgio Moro. O primeiro para cuidar da nossa economia, e o segundo, da nossa segurança pública. Era, digamos assim, os dois pilares do revolucionário governo Jair Bolsonaro. 

.        Decorridos apenas oito, dos 48 meses do governo Jair Bolsonoro, enquanto o ministro Paulo Guedes já conseguiu contabilizar algumas vitórias, entre elas, a aprovação da reforma da nossa previdência social, justamente àquela que se sabia ser a mais urgente, necessária e importante, outras tantas já se encontrarem bem encaminhadas, a se destacar, a reforma tributária e um ambicioso programa de privatizações.

.        Entretanto, do ministro Sérgio Moro, exceto suas sucessivas derrotas, nada do que tem feito tem chamado a nossa atenção. Eu, particularmente, chego a imaginar que ele já tenha se arrependido de ter trocado a toga pela política, isto porque, enquanto juiz e piloto da Operação Lava-Jato, dele e somente dele dependia as suas decisões, e enquanto ministro da justiça, pouco ou nada fez. E o pior: por não ter tido do apoio que esperava do próprio presidente Jair Bolsonaro.                                       

.        Nada mais constrangedor para o ministro da Justiça, Sérgio Moro, do que já ter ouvido do presidente Jair Bolsonaro, coisas do tipo: só vejo babaquice na Polícia Federal. Ao assim proceder, e como o diretor-geral da nossa PF, Maurício Valeixo, fora escolhido, e a dedo, pelo próprio Sérgio Moro, de uma cajadada só, pôs o chefe da PF na frigideira, e quem sabe até, o próprio Sérgio Moro.

.        Decerto uma coisa: se sua sangria não for garroteada, já e imediatamente, só restará ao ministro Sérgio Moro cair fora do governo Jair Bolsonaro. Do contrário, tamanha será a sua anemia, que até mesmo o governador de São Paulo, João Doria, não mais o convidará para integrar o seu o seu secretariado.

.        Se enquanto juiz da Operação Lava-Jato e empunhando a bandeira do combate a corrupção, não raramente, Sérgio Moro era comparado a um herói, embora tratar-se de um equívoco, pois o combate a corrupção não é um fim em si mesmo, e sim obrigação, não apenas de um magistrado, de um político ou de quem quer seja, em não dando conta dos seus afazeres, Sérgio Moro foi se apequenando a ponto de ter comprometido a autoridade do próprio cargo.

.        As diversas vezes que o presidente Jair Bolsonaro já se pronunciou usando a seguinte expressão “mando eu”, claramente se dirigindo ao ministro Sérgio Moro, não é o tratamento esperado para quem entrou no seu governo para ser uma figura de proa, uma espécie de mega-ministro.

 

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