O Rio Branco

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Novo/velho

Por Artigo do Narciso

12 de Setembro de 2017 às 09:26:24

Sobre o nosso sistema político já podemos afirmar que “o velho já morreu e o novo não nasceu”.

O cabeçalho acima resultou da decupagem de uma das muitas expressões da lavra do filósofo Antônio Gramsci, de quem nunca fui fã, embora a considere, presentemente, para o nosso caso, bastante oportuna. Vejamos:  “Toda crise consiste precisamente no fato do velho está morrendo e o novo não está nascendo, e neste interregno uma grande variedade de sintomas mórbidos aparece”. Qualquer semelhança com o que está acontecendo em nosso país não é uma mera coincidência, e sim, a mais pura realidade. 

É uma pena que, no nosso caso, os nossos sistemáticos interregnos só têm produzido os mais desastrosos resultados, afinal de contas, o que já surgiu e foi apresentado como o novo, só tem produzido resultados ainda piores, quando comparado com o era considerado como velho.      

Lamentavelmente, de onde haveríamos de esperar que viessem as soluções dos nossos problemas, sendo mais preciso, dos nossos representantes políticos, nada tem conseguido detê-las, menos ainda, minorá-las. Neste particular, Dante Alighieri já havia advertido: “no inferno os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempo de crise. 

Sou contra a criminalização indiscriminada dos nossos representantes políticos, até porque, para tanto e a priori, teria que condenar a própria atividade política, no que seria a mais grave ameaça a nossa própria democracia, até porque, outra não é, e nem poderá ser, a base da nossa e de qualquer democracia. 

Infelizmente, chegamos a um nível tal que, em razão do elevadíssimo descrédito e desmoralização da nossa classe política, e por extensão, dos seus poderes correlatos, executivo e o legislativo, estamos na travessia do mais arriscado e perigoso interregno de toda a nossa história, afinal de contas, já não mais daqueles que se encontram instalados nos mais altos postos da nossa República, e sim, de criminosos confessos, que estão surgindo as mais bombásticas declarações.

Nada contra ao instituto da delação premiada, afinal de contas, a considero fundamentalmente importante, sobretudo, nas  investigações que objetivam desbaratar as sofisticadas organizações criminosas, conquanto que, as confissões dos tantos quantos que se candidatam a delatar, assim o fazem pensando muito mais no prêmio que buscar alcançar do que em ajudar nas investigações, e disto tem resultado os chamados espetáculos midiáticos, alguns deles com potencial capaz de desqualificar o referido instrumento, a exemplo das confissões prestadas pelo gangster Wesley Batista, entre outras. .

Se a nossa corrupção, como bem disse o próprio juiz Sérgio Moro é sistêmica, ou se muda o sistema, este sim, em sua essência, permissivo com a corrupção, ou das eleições de 2018 apenas assistiremos uma trocas de velhos por novos corruptos.

 

 

 



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