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Pesquisas&pesquisas

Em princípio não creio e nem descreio das pesquisas, mas delas todos se servem para tirar suas conclusões.

          Se técnica e cientificamente bem elaborada, não há nenhuma outra  referência que melhor se presta para avaliarmos a aceitação de um produto, e no nosso ambiente político, para avaliarmos a aceitação e a rejeição dos nossos gestores públicos. Evidentemente, quando elaboradas pelos institutos propriamente ditos, e não por falsários que manipulam seus dados a fim de atender os interesses de quem as encomendam.   

.        Independente dos seus resultados serem autênticos ou falsos, dependendo da forma como venham ser explorados, os resultados de uma pesquisa eleitoral acabam influenciando no curso das nossas próprias campanhas eleitorais. E o mais grave: entre uma eleição em muito tem crescido a quantidade dos tais institutos, isto porque, também tem sido crescente a quantidade de candidatos e de políticos que os contratam.

         Com a legislação político, partidária e eleitoral que temos, sem dúvidas, coisas piores ainda advirão, afinal de contas, o apodrecimento da nossa atividade política tem como causa determinante o nosso próprio sistema, este por sua vez, completamente apodrecido. Verdade seja dita: em nenhum país do mundo, nem entre as mais atrasadas republiquetas espalhadas, mundo afora, não vamos encontrar nada parecido do que acontece no nosso país. 

         Visivelmente estamos a caminho, e tudo nos leva a crer que já bem próximo, de cairmos no abismo. Enquanto isto, de minimamente consistente, não observamos nenhuma providência visando nos impedir de descermos no seu despenhadeiro. A independência e a harmonia dos nossos poderes deixaram de existir. Até mesmo o nosso poder judiciário, enquanto árbitro dos conflitos advindos das nossas anárquicas e irresponsáveis instituições políticas encontra-se partidarizado. Prova disto, os 11 integrantes do nosso STF-Supremo Tribunal Federal, por repetidas vezes têm nos dado a impressão que a nossa constituição deixou de ser referência. A provar que sim, até mesmo alguns dos dispositivos da nossa Constituição Cidadã, ainda que textualmente expressos e facilmente interpretáveis, sobretudo, os constantes em suas cláusulas pétreas, tem repetido o preocupante placar de 6x5.

         A politização da nossa atividade jurídica e a justicialização da nossa atividade política já virou uma rotina e a conseqüência não poderia ser outra, a não ser, o enfraquecimento da nossa democracia. Como em casa de bamba todo mundo manda, assim tem se comportado os ministros do nosso STF. Nada mais temerário. Vide as suas decisões em relação a prisão antes do trânsito em julgado das sentenças penais. 

         Se os interesses partidários e pessoais empurraram a nossa classe política para o fundo do poço, política e moralmente, o que já seria insuportável, não menos grave é o nosso STF ter se transformado num arquipélago constituído por 11 ilhas e cada uma delas com o seu donatário determinando o que melhor lhes conviver. Como se na gíria: é fim da picada.

         Ainda que desnecessário, pois as evidências já bastariam para revelar seus péssimos desempenhos, certamente, se os institutos de pesquisas passassem a avaliá-los, muito provavelmente, os nossos poderes iriam melhorar.

 

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