O Rio Branco

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Sem farda

Por Artigo do Narciso

11 de Junho de 2018 às 09:39:18

 Nas articulações que culminaram com a revolução de 64, Roberto Marinho agia como se fosse um dos seus generais.

         Pregava-se à época, que sem a deposição do então presidente João Goulart, a nossa democracia pereceria, ou mais precisamente, mergulharia numa ditadura de esquerda. Politicamente, nunca levei a sério as rotulações esquerda/direita, entretanto, era assim que os países, em todo o mundo, eram rotulados.

         Eram considerados de esquerda os países aliados da outrora URSS-União de Repúblicas Socialistas Soviéticas, e de direita, os que giravam em torno dos Estados Unidos da América. Enfim, nos encontrávamos na perigosa travessia da chamada guerra fria.

         Se entre dois males, aconselha-se escolher o menor, ainda bem que veio a vitória da chamada revolução de 64 e graças a ela conseguimos nos livrar dos regimes vigentes nos países ditos de esquerda, praticamente todos sob tacões de seus ditadores. 

         No curso dos acontecimentos que precederam a tal revolução, os EUA tinham no seu embaixador, Lincoln Gordon, seu principal articulador e informante, e este por sua vez, gozava de livre trânsito entre os nossos generais militares, em particular, com o Dr. Roberto Marinho, o único general civil, já que assim era considerado o dono do sistema Globo de comunicação. Aquele tempo, menos poderoso do que é hoje, porém já a altura de substituir a força política e jornalística que por várias décadas havia sido exercido por outro magnata das nossas comunicações, Assis Chateaubriand, dono dos Diários Associados.

         Que a Globo, por ordem e determinação do Dr. Roberto Marinho tenha contribuído com a queda do então presidente João Goulart, vá lá, afinal de contas, em defesa da nossa democracia, tudo valeria à pena. Acontece que, e os registros da história comprovam que este não era o seu propósito, até porque, a partir de então, o próprio Dr. Roberto Marinho tornou-se o principal conspirador contra as eleições diretas que deveriam ter acontecer, já em 1965. Vamos aos fatos;

         Em 31 de julho de 1965, o Dr. Roberto Marinho se encontra com o então presidente/general Castelo Branco e lhe comunica que, se as eleições forem diretas, a oposição venceria, e ainda o sugeriu a aprovação de uma emenda constitucional propondo eleições indiretas, não apenas para presidente, também, para os governados. O opositor que ganharia as eleições presidenciais seria o ex-presidente Juscelino Kubitschek.

         Verdade seja dita: o então presidente Castelo Branco não foi receptivo as sugestões propostas pelo Dr. Roberto Marinho, entretanto, suas sugestões serviram para alimentar a chamada linha dura da revolução, e o resultado foi os 20 anos de ditadura.  

         Já passados quase 10 anos do nosso não saudoso regime militar, vejamos o que disse o general Emílio Garrastazu Médici quando estava no exercício da presidência da República “Sinto-me feliz, todas as noites, quando ligo a televisão para assistir o jornal nacional, da Globo, é claro. É como se tomasse um tranqüilizante após um dia de trabalho. Neste particular, coitadinho do presidente Michel Temer, que ao invés de tranqüilizantes, todos os dias e os dias todos, a Globo o faz engolir, goela à baixo, dozes cavalares de veneno. O mesmo aconteceu, até cair, com o então presidente Dilma Rousseff.

         Não menos importante, e para provar a leal parceria Globo/ditadura, vejamos o que dizia o ministro encarregado de censurar a nossa imprensa, o não saudoso Armando Falcão: “Devo dizer que o Dr. Roberto Marinho nunca me criou qualquer tipo de dificuldades. Eu ministro censor, ele diretor da TV-Globo, da rádio Globo, da rádio Mundial, da rádio Eldorado, nunca me criou dificuldades.

         Eis a questão: Qual o tratamento que a império Globo irá dar ao nosso futuro presidente? Dozes de tranqüilizantes ou de venenos?

 



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