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Inaceitável

                           A nossa educação pública não pode ser  vendida como se fosse uma mercadoria.

Quantos brasileiros, e em particular, quantos acreanos portam ou mantém pendurados nas paredes de suas casas um diploma de nível superior e não conseguem se realizar profissionalmente porque não adquiriram os conhecimentos minimamente indispensáveis ao exercício da sua pretendida profissão? Certamente, milhares deles. Pior ainda: boa parte deles encontra-se desempregados e conseqüentemente inadimplente junto ao FIES. Pior ainda: já estão sendo acionados judicialmente por atraso no pagamento de suas parcelas. A dívida dos alunos financiados pelo FIES já ultrapassou a casa dos R$-20,00 bilhões. 

O questionamento acima é extensivo as mais diversas categorias profissionais, mas uma delas, a dos advogados, sobressai-se às demais, justamente por ser àquela que, historicamente, já se revelou como a mais desastrosa, isto porque, o mercado de trabalho resiste em admitir os formados pelas faculdades caça-níqueis, também conhecidas como fabriquetas de doutores.

No Estado de São Paulo, mais da metade dos médicos recém-formados nas suas escolas médicas são reprovados no exame realizado pelo Cremesp-Conselho Regional de Medicina. Detalhe a ser considerado: a quase totalidade dos reprovados foi formada nas faculdades particulares. E o mais impressionante: muitos deles sequer sabiam fazer o diagnóstico de uma simples pneumonia.   

A propósito, a própria OAB-Ordem dos Advogados do Brasil tem expressado publicamente que a quantidade de faculdade de direito existente no nosso país e a quantidade de advogados que são formados anualmente representam um verdadeiro estelionato educacional. Enquanto isto, os grupos econômicos que tomaram de conta da nossa educação superior, com a criação do FIES, foram os que mais prosperaram no nosso país.    

Segundo informações do CNJ-Conselho Nacional de Justiça o Brasil já conta com mais 1.240 faculdades de direito. Enquanto isto, se somadas todas as faculdades de direito existentes na China, nos Estados Unidos e em toda a Europa sequer 1.100 faculdades seriam contabilizadas.

 De acordo com o Censo de Educação Superior, presumidamente, o instrumento de pesquisa mais completo do Brasil sobre as nossas instituições de educação superior, anualmente são diplomados no nosso país mais de 105.000 advogados.

Os bilhões de reais que os grupos empresariais indevidamente se apropriaram da dinheirama do FIES precisam ser chamados à responsabilidade. Num país sério certamente seriam. No nosso, não sei.

 

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