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FIES

Quando instituído, pelos seus bons propósitos, ninguém imaginava que o FIES visse se transformar nisto que está aí.

         As nossas universidades públicas se destacam entre as melhores do nosso país, entre elas citaremos, em grau de importância: USP, Unicamp, UFRJ, UFMG e UFRGS. Diria mais: entre as vinte melhores faculdades do nosso país nenhuma delas é gerida pelo setor privado. Neste particular, a capacidade gestora da nossa iniciativa tem se revelado um verdadeiro desastre, posto que, os filhos dos milionários estudam gratuitamente nas boas universidades públicas, e os filhos das famílias carentes, nas fabriquetas de doutores, financiados pelo FIES. E por quê?

         Porque o referido programa logo foi transformado em atraentes e vantajosos nichos de mercado, e logo a seguir, numa guerra comercial entre os antigos proprietários de faculdades e de centenas de novos aventureiros interessados em tirar proveito na bilionária gamela do FIES.

.        Disto resultou a proliferação das chamadas faculdades caça-níqueis. Só para se ter uma idéia, o Brasil tem atualmente mais faculdades de direito que as existentes em toda a Europa, um continente formado por mais 50 países. A OAB-Ordem dos Advogados do Brasil tem insistentemente advertido o governo federal, porém sem sucesso, para que mude a política que autoriza a abertura de novas faculdades de direito.                              

         Pasmem! Apenas em 2016, o custo global do FIES para o nosso Tesouro Nacional atingiu os estratosféricos R$-32,00 bilhões, e em troca, já somos, seguramente, o país do mundo que concentra o maior número de doutores semi-analfabetos. A provar que sim, mais de 80% dos advogados formados nestas tais fabriquetas de doutores, não conseguem aprovação no exame da OAB. No Estado de São Paulo, por exemplo, o Cremesp- Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo já fez diversos exames para avaliar os médicos formados pelo FIES e 71% deles sequer sabiam diagnosticar o sintoma de tuberculose. Para a conselheira do Cremesp, nada mais perigoso para um profissional que se propõe a cuidar das vidas das pessoas. 

         O que aconteceu com o FIES, só nos faz lembrar o programa do leite criado pelo governo do então presidente Sarney. Como a conta era paga pelo governo, o referido programa foi extinto pela mais elementar das razões: a produção da bacia leiteira no nordeste aumentou em mais de 1.000% sem que tenha havido o aumento de uma cabeça no seu rebanho de vacas leiteiras. Ou seja, por falta de controle e fiscalização o programa foi tomado pela corrupção.

         Com o FIES aconteceu o mesmo, afinal de contas, os donos dos grandes conglomerados que foram se formando, politicamente muito bem apadrinhados, passaram a dispor de franco acesso as altas autoridades do MEC, e quando necessário, aos demais escalões do governo federal.

         Por sua importância, nada contra FIES, entretanto, a exemplo do que aconteceu com o mensalão e o petrolão, seus prós e contras, precisam ser investigados, até porque, dezenas de bilhões de reais dirigidos ao referido programa continua escoando pelos ralos da corrupção.

        

 

 

 

 

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