Colunistas

Da fama à lama

A fama dos grandes homens deveria ser sempre julgada pelos meios que usaram para obtê-la. 

                                                                                                                François La Rouchefoucauld.

. A Operação Lava-Jato acumulou tanto prestígio e fama que as decisões da 13ª vara da justiça federal de Curitiba, em quase toda a sua integralidade, eram acolhidas pelas demais instâncias do nosso poder judiciário. Em razão disto, a chamada República de Curitiba, comandada pelo todo-poderoso Juiz Sérgio Moro e o seu fiel coadjuvante, o procurador da República, Deltan Dellagnol, agia como lhes convinham. E o mais impressionante: nossos congressistas e o nosso STF a tudo assistiam sem esboçarem as devidas reações.                

. Como o combate à corrupção costuma atrair a atenção do grande público, e se convenientemente manipulada pela grande mídia, mais ainda, antes que os agentes da Polícia Federal chegassem aos locais em que se davam as buscas, conduções coercitivas e prisões, lá já se encontravam os repórteres da TV-Globo, prontos e preparados, para a montagem dos seus costumeiros e sensacionalistas espetáculos.      

. A narrativa caprichosamente veiculada pela nossa grande imprensa, e em seus espaços mais nobres, era sempre a seguinte: nosso desemprego, nossa má educação pública, nossa caótica segurança pública e a nossa desumana saúde pública são frutos da nossa corrupção. 

. Que o então juiz Sérgio Moro só aceitou largar a toga para se tornar ministro da justiça do governo Jair Bolsonaro porque imaginou que em sendo ministro de Estado, o tornaria mais famoso que sendo juiz da 13ª vara da justiça federal de Curitiba, parece ter sido o caso.   

. Em sua ambição, Sérgio Moro não parou para avaliar que na atividade política, diferentemente da atividade jurídica, para o sujeito sair da fama e se atolar na lama, seria uma hipótese a ser considerada. E como não, caso não consiga desmascarar as informações tornadas públicas pelo site to The Intercept  será por ele desmascarado. Moralmente sim, afinal de contas, a corrupção é o mais corrosivo cupim da nossa e de qualquer de qualquer República, mas fiscalmente não, posto que, foi à irresponsabilidade fiscal dos nossos governantes, e em todos os níveis – federal, estadual e municipal – quem mais havia contribuído com as crises que ora vivenciávamos.  

Como a Operação Lava-Jato, desde o seu início não conseguiu esconder, pelo ao menos, para uma parte considerável da nossa população, que entre seus objetivos, o de prejudicar o PT era o central, como conseqüência, veio o impeachment da então presidente Dilma Rousseff e a condenação e a questionável prisão do o ex-presidente Lula.  

Com o ex-presidente Lula fora da disputa presidencial e o nosso chamado centro político literal e irresponsavelmente dividido, deu no que deu, ou seja, num segundo turno das eleições presidenciais de 2018 sendo disputado por dois anti-candidatos: Jair Bolsonaro, como o candidato anti-PT e Fernando Haddad, como o candidato anti-Bolsonaro.  

  Para tanto, a Operação Lava-Jato em muito contribuiu para que isto pudesse acontecer, ou mais precisamente, foi determinante para a eleição do hoje presidente Jair Bolsonaro.  Outra não foi a razão que fez do ex-juiz Sérgio Moro ministro de Estado. 

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