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Nova política

Os idealizadores da tal nova política, não entregaram e jamais entregarão o que prometem.    

         A nossa atividade política, já há bastante tempo, vem exigindo urgentes melhoramentos, jamais a sua extinção, até porque, todos os nossos avanços culturais e civilizatórios derivaram-se das suas boas e oportuníssimas práticas, a despeito da incômoda presença e da participação dos maus políticos, estes sim, os causadores da descrença da nossa população com a própria política, e em particular, com a nossa democracia.

         Dito isto, para além de necessário, torna-se oportuníssimo que se diga: todos os nossos atuais representantes políticos, do vereador do mais modesto município do nosso país ao presidente da nossa República, sem nenhuma exceção, foram escolhidos em obediência a nossa soberania popular, ou seja, através do voto da nossa população.

.        Portanto é chegada à hora, diria até, ainda que muito tardiamente, dos nossos eleitores assumirem a responsabilidade pelas más escolhas que fizera, e muito mais ainda, pelas escolhas que farão nas nossas próximas eleições. Do contrário, os pregadores da tal “nova política” continuarão bradando as suas falaciosas argumentações.

         Os que condenam a velha política são sim, uns falsários, pois sequer conseguem sugerir o que irão por no seu lugar, ou seja, agem como um inconseqüente fazendeiro que a pretexto de matar os carrapatos que ameaçavam o seu rebanho, e em exagerando na dose da carrapaticida, acabou matando todo o seu rebanho.

         Que a nossa atividade política precisa melhorar, disto não tenhamos a menor dúvida, e que a sua renovação se faz necessário, idem. Conquanto que, àqueles que a ela adentrarem, não tenha a pretensão de criar o que alguns doidivanas costumam denominar de “nova política”. 

            A democracia, por exemplo, se é que assim podemos dizer, é o melhor dos frutos da velha política. Mas não foi pensando que estavam criando um modelo perfeito que seus idealizados a concebera. Neste particular, lembremos o que disse Winston Churchill, um dos nossos maiores estadistas:  “A democracia é o pior dos regimes, a exceção de todos os demais”.

         Uma coisa é certa: a nossa democracia sempre foi muitíssimo maltratada, a começar, pela inconstância das nossas estruturas partidárias, e o mais grave, a cada inovação levada a cabo, só tem feito piorá-la. A exemplificar: o nosso atual Congresso Nacional é composto por representantes de 30 partidos políticos distintos, algo inconcebível em qualquer democracia que minimamente se preze. Este disparate tem nome e sobrenome: “anarquia congressual” e é a esta anarquia que todos os nossos governantes: prefeitos, governadores e o próprio Presidente da Republica terão que se submeterem.

          Não é quantidade dos nossos partidos políticos que vem comprometendo a nossa governabilidade, e sim, a sua fragmentação congressual, posto que, somente a base das mais espúrias negociatas os  nossos governantes conseguem compor as suas bases de sustentação política.

         Nos EUA existem algumas dezenas de partidos políticos, entretanto, apenas dois deles, o Republicano e o Democrata, predominam em suas Casas parlamentares, tanto no Senado quando na Câmara dos Deputados. Nas democracias européias, dá-se ao assemelhado.  

         Cá entre nós, as coligações partidárias nas eleições legislativas e a não exigência da chamada cláusula de barreiras permitiu que chegasse aonde chegamos, ou mais precisamente, ao fundo do poço: política, administrativa e moralmente.

         Ainda bem que já nas próximas eleições as coligações partidárias para as eleições legislativas não mais existirão, e ainda mais, para que os partidos políticos tenham acentos nas nossas Casas legislativas terão que romper a chamada cláusula de barreira, ainda que modesta, pois nas melhores democracias os percentuais exigidos são de no mínimo 3% dos votos nacionais. De certo modo, serão bem vindas.

 

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